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Proibição das bets tem apoio maciço, mas Lula é ignorado

Apesar de 75% dos brasileiros apoiarem o fim das bets, Lula não é citado em quase 70% das menções online após assinar medida provisória.

Por Redação Ponto FixoPublicado 28/09/2026 às 08h04· 3 min de leitura
Proibição das bets tem apoio maciço, mas Lula é ignorado
Foto: Reprodução

A edição de uma medida provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para proibir apostas on-line no Brasil gerou uma expressiva onda de apoio popular no ambiente digital, mas sem converter a pauta em capital político direto para o Palácio do Planalto. Uma análise conduzida pela consultoria AP Exata sobre 180 mil menções no X e no Instagram revelou que Lula sequer é citado em 68,2% das postagens a respeito do tema. Apenas 18,6% das publicações conferem crédito, elogiam ou saem em defesa do chefe do Executivo, enquanto outros 6,2% manifestam concordância com o veto às plataformas, mas registram ressalvas à condução do governo federal.

Rejeição social e contradições do governo

O respaldo à restrição encontra paralelo no sentimento geral da população brasileira, historicamente preocupada com a preservação do orçamento doméstico e a integridade da família diante da proliferação dos jogos de azar. Dados do levantamento Atlas/Bloomberg apontam que 75% dos brasileiros são favoráveis — de forma total ou parcial — à retirada definitiva das empresas de apostas do território nacional. Essa proporção é ainda mais acentuada entre o eleitorado feminino, atingindo 82%, em comparação a 68% registrado entre os homens. Contudo, analistas de dados pontuam que o descolamento da figura presidencial nas redes decorre do próprio histórico recente da gestão petista sobre o assunto.

Para compreender o cenário, é fundamental situar os antecedentes legislativos da matéria. As apostas de quota fixa foram legalizadas originalmente em 2018, sob a presidência de Michel Temer, permanecendo em operação sem um regramento formal durante o mandato de Jair Bolsonaro. Ao assumir o poder em 2023, o governo Lula tratou o setor como fonte prioritária de arrecadação fiscal, capitaneada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que acusava a gestão anterior de omissão. Em dezembro de 2023, Lula sancionou a lei que estruturou o marco regulatório das bets, fixando tributos, critérios de outorga e diretrizes sancionatórias para as empresas, abrindo caminho para a consolidação formal do mercado.

Calendário eleitoral e desdobramentos práticos

O recuo estratégico do Executivo, agora justificando a proibição total sob o argumento de proteger os lares contra o endividamento, esbarra nas memórias do debate parlamentar de 2023. Durante a votação do marco legal no Congresso, as bancadas do PT e da base governista rejeitaram uma emenda que buscava impedir expressamente que beneficiários de programas sociais transferissem recursos para sites de apostas. A mudança abrupta de postura ocorre a nove dias da eleição e coincide com o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na preferência do eleitorado feminino em pesquisas como a Quaest, alimentando apontamentos de que a iniciativa possui viés eleitoreiro.

Pelo cronograma estabelecido pelo texto da MP, os aplicativos e plataformas digitais de apostas têm previsão de saída do ar em 6 de outubro, enquanto a devolução dos saldos financeiros remanescentes aos apostadores deve ocorrer entre 9 e 14 de outubro. Do ponto de vista econômico e regulatório, as empresas operadoras e o setor de arrecadação tributária perdem espaço imediato, enquanto as famílias consumidoras ganham alívio contra o endividamento compulsivo. Todavia, ainda não se sabe qual será o impacto de eventuais questionamentos jurídicos movidos pelas operadoras devidamente licenciadas pela lei de 2023, nem como o Congresso Nacional reagirá na tramitação de admissibilidade da nova medida provisória.

O que está em jogo: A medida provisória impõe o encerramento operacional das bets a partir de 6 de outubro e a devolução de saldos até 14 de outubro, exigindo que o apostador acompanhe os prazos de resgate e que o Congresso defina se manterá a revogação da lei sancionada em dezembro de 2023.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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