Representações ao MPSP apontam uso de R$ 133 mil de verba pública para promover prefeito de Santos e atacar rivais políticos na internet.

A utilização de recursos públicos para fins de autopromoção e perseguição política virou alvo de escrutínio formal no litoral paulista. O vereador Rui de Rosis Júnior (PL) protocolou duas representações junto ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) exigindo apuração rigorosa sobre pagamentos efetuados pela Prefeitura de Santos a influenciadores e administradores de páginas digitais. A denúncia aponta que cerca de R$ 133 mil foram destinados a abastecer perfis nas redes sociais com o objetivo duplo de enaltecer a imagem do atual prefeito, Rogério Santos (Republicanos), e desferir ataques sistemáticos contra nomes da oposição local.
Contratos milionários e notas sem critérios
O montante sob suspeita faz parte de uma cifra muito mais expressiva: um contrato global de publicidade institucional firmado em 2023, avaliado em R$ 9,4 milhões. Dentro desse pacote, a auditoria realizada pelo gabinete parlamentar identificou 32 notas fiscais emitidas em favor de cinco proprietários de páginas de Instagram com atuação na Baixada Santista. Embora a fatia de R$ 133 mil represente pouco mais de 1,4% do valor total licitado, a gravidade reside na ausência completa de estudos técnicos de preços, métricas claras de desempenho ou parâmetros objetivos que justificassem a escolha e a remuneração desses canais específicos com o dinheiro dos pagadores de impostos.
As peças anexadas aos processos administrativos demonstram que as publicações financiadas não se limitavam a divulgar atos de interesse público do município. Houve veiculação de conteúdos favoráveis a votações em Brasília e pesquisas de intenção de voto ligadas ao deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD). Em contrapartida, as páginas contratadas dispararam ataques diretos contra adversários da atual gestão municipal, incluindo a deputada federal Rosana Valle (PL) e o vereador Alisson Sales (PL), configurando o uso da máquina estatal como instrumento de guerrilha ideológica e eleitoral.
Defesa alega falha e Ministério Público avalia
O processo revela ainda que a Secretaria Municipal de Comunicação de Santos chancelou, conferiu e autorizou a liquidação financeira de todas as notas emitidas. Em resposta formal, a administração municipal negou qualquer orientação para promover ofensas a opositores e classificou a inclusão de relatórios de engajamento dessas páginas na prestação de contas do evento “Natal Criativo” como uma mera “falha processual”. O Executivo informou ter notificado a agência de publicidade para regularizar a documentação, enquanto a assessoria de Paulo Alexandre Barbosa sustentou que o parlamentar não teve ingerência na contratação nem na linha editorial dos perfis digitais.
A ofensiva jurídica coloca em lados opostos a oposição santista, que busca responsabilizar o Executivo por desvio de finalidade e improbidade, e o grupo político do prefeito Rogério Santos, que tenta isolar o escândalo como um erro burocrático de uma agência terceirizada. Resta saber agora se o Ministério Público de São Paulo acolherá as representações para abrir um inquérito civil e até onde alcançava o conhecimento da cúpula da Secretaria de Comunicação acerca dos relatórios de inteligência e monitoramento anexados aos pagamentos.
O que está em jogo: a apuração do MPSP definirá se a gestão de Rogério Santos cometeu ato de improbidade administrativa e desvio de recursos públicos da publicidade oficial, cabendo aos promotores decidir nos próximos passos se abrem inquérito formal para cobrar a devolução dos R$ 133 mil ou se aceitam a tese de falha processual alegada pela Prefeitura de Santos.
Com informacoes de revistaoeste.com.