Em discurso na Assembleia Geral, Javier Milei chamou a ONU de inútil, criticou a burocracia global e reafirmou aliança com os EUA e Israel.

Em um pronunciamento contundente durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente da Argentina, Javier Milei, desferiu duras críticas à estrutura e à eficácia da entidade internacional. O mandatário argentino classificou a organização como “inútil” e sustentou que o fórum multilateral falhou em cumprir sua missão original de preservar a paz, servindo apenas para sustentar uma burocracia descolada da realidade e conivente com regimes autoritários e grupos extremistas ao redor do globo.
Segundo Milei, a entidade abandonou a defesa intransigente dos direitos fundamentais para se transformar em um mecanismo inoperante diante do avanço de conflitos armados e do terrorismo internacional. O líder argentino destacou que o organismo internacional adota posições desproporcionais e injustas em relação à guerra na Faixa de Gaza ao penalizar sistematicamente Israel, enquanto demonstra complacência com a teocracia autoritária do Irã e sua rede de influência regional.
Alinhamento com valores ocidentais e soberania
Ao fundamentar sua postura diplomática, Milei reiterou que a política externa de Buenos Aires rompeu com a ambiguidade de gestões anteriores. O chefe de Estado enfatizou a escolha estratégica de convergência plena com o Ocidente, destacando os laços consolidados com os Estados Unidos e o Estado de Israel, nações com as quais compartilha princípios de liberdade individual, defesa da democracia e cooperação mútua em matéria de segurança e desenvolvimento.
O líder argentino também resgatou o histórico da disputa territorial pelas ilhas Malvinas, território controlado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina, para exemplificar a fraqueza decisória das Nações Unidas. Milei pontuou a ineficiência prática das resoluções emitidas pelo organismo ao longo de décadas sem qualquer efeito vinculante concreto, afirmando categoricamente que seu país não permanecerá passivo aguardando soluções da diplomacia multilateral e adotará providências próprias no âmbito da controvérsia.
Rejeição ao intervencionismo e passos futuros
A ofensiva verbal de Milei também mirou o histórico de intervenções sanitárias globais, trazendo à tona as diretrizes impostas durante a pandemia de covid-19. O mandatário recordou a decisão de retirar a Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS), classificando as medidas de confinamento em massa adotadas no passado como tentativas de controle social mascaradas de respaldo científico, reafirmando sua aversão ao agigantamento de agências não eleitas sobre a soberania dos povos.
Apesar da retórica contundente, a representação britânica permaneceu em silêncio no plenário durante a sessão, deixando sem resposta imediata as cobranças argentinas. Permanece em aberto quais medidas jurídicas ou diplomáticas concretas a chancelaria da Argentina planeja implementar para avançar na pauta das Malvinas sem a mediação direta da ONU, bem como o impacto que esse confronto retórico terá sobre eventuais votações e financiamentos multilaterais envolvendo o país sul-americano.
O que está em jogo: Na prática, a postura da Argentina redefine seu posicionamento geopolítico ao se afastar do multilateralismo tradicional e priorizar alianças bilaterais diretas com Washington e Jerusalém. Cabe observar agora se o governo de Javier Milei apresentará uma petição formal ou um novo plano diplomático sobre as Malvinas junto ao Reino Unido e como a comitiva britânica responderá nas próximas sessões bilaterais.
Com informacoes de revistaoeste.com.