Eduardo Pimentel declara voto em Deltan Dallagnol ao Senado em 2026, ignorando colega de partido e cruzando alianças estaduais no Paraná.

O cenário político do Paraná ganhou novos contornos nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, com a manifestação formal do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), em favor da candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado Federal. A declaração pública, veiculada por meio das redes sociais do chefe do Executivo municipal, consolida uma aproximação estratégica com o ex-procurador da Operação Lava Jato, reconfigurando os equilíbrios de força e as alianças para a disputa eleitoral no estado.
A articulação traz à tona um arranjo eleitoral com sobreposições partidárias relevantes. Enquanto Dallagnol disputa uma das duas vagas paranaenses à Câmara Alta integrando o grupo político de Sergio Moro (PL) — que concorre ao governo estadual —, Pimentel exerce desde agosto a coordenação da campanha de Sandro Alex (PSD), adversário direto de Moro na corrida pelo Palácio Iguaçu. Além de Dallagnol, Pimentel também indicou apoio a Alexandre Curi (Republicanos) para a segunda vaga ao Senado, e compôs sua chapa ao governo com menções a Sandro Alex e ao ex-prefeito Rafael Greca (MDB).
Relações locais e reciprocidade eleitoral
O gesto de Pimentel ancora-se nos antecedentes do pleito municipal de 2024, quando o Partido Novo e o próprio Dallagnol estiveram na linha de frente de sua sustentação eleitoral. Naquela ocasião, a aliança foi firmada ainda nas etapas iniciais da campanha e mantida no segundo turno da eleição curitibana. “Em 2024, quando eu ainda estava começando a minha caminhada para ser prefeito, o Deltan foi um dos primeiros a estar ao meu lado”, destacou Pimentel em sua publicação, relembrando o diálogo travado no Jardim Botânico da capital paranaense.
A movimentação tem como efeito colateral direto o isolamento interno de Cristina Graeml dentro do PSD. Adversária de Pimentel no segundo turno de 2024 — disputa marcada por duros embates e trocas de acusações sobre a disseminação de informações falsas —, Graeml migrou do PMB para o PSD com vistas a concorrer ao Senado em 2026. A postura do prefeito em não mencioná-la e priorizar o nome do Novo evidencia a manutenção de feridas abertas da disputa anterior e fragmenta o apoio da máquina municipal para a chapa majoritária do próprio partido.
Equilíbrio de forças e indefinições
Com essa definição de palanque, o quadro eleitoral distribui pesos distintos: Dallagnol ganha a projeção da maior máquina municipal do Paraná, enquanto a base de Cristina Graeml perde tração partidária formal na capital. Contudo, o que ainda não se sabe é como o eleitorado paranaense reagirá ao cruzamento de palanques, no qual o coordenador da campanha de Sandro Alex promove um dos principais aliados de seu concorrente direto, Sergio Moro. A dinâmica prática da campanha e a eventual cobrança por fidelidade partidária interna dentro do PSD permanecem em aberto.
O que está em jogo: a composição das duas cadeiras do Paraná no Senado Federal em 2026, expondo uma dissidência interna no PSD local entre Eduardo Pimentel e Cristina Graeml, ao mesmo tempo em que fortalece o capital político de Deltan Dallagnol em Curitiba diante da divisão de palanques estaduais entre Sandro Alex e Sergio Moro.
Com informacoes de revistaoeste.com.