Mensagens revelam articulação de advogado para livrar Alexandre de Moraes da Lei Magnitsky após sanções impostas pelos Estados Unidos.

A teia de relações entre figuras do meio financeiro e a mais alta corte judicial brasileira ganhou um novo capítulo com a revelação de diálogos obtidos pela Polícia Federal. O advogado Walfrido Warde ofereceu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro uma estratégia jurídica internacional com o objetivo de livrar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, das punições determinadas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky. As conversas, que vieram a público a partir do celular do empresário, demonstram a articulação de bastidores apenas dois dias após a aplicação formal das medidas punitivas pela Casa Branca.
A ofensiva de Washington ocorreu em agosto de 2025, no âmbito de sanções do governo de Donald Trump direcionadas a autoridades estrangeiras acusadas de violações a direitos humanos. O mecanismo da Lei Magnitsky impõe severas restrições bancárias e patrimoniais em solo americano, configurando verdadeiro isolamento das instituições financeiras globais. Warde propôs acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sustentando a tese de que o presidente norte-americano utilizava poderes de Estado para pressionar um juiz brasileiro visando viabilizar politicamente a candidatura de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.
Articulações e contrato milionário sob suspeita
Nas mensagens datadas de 1º de agosto de 2025, o advogado afirmou ter uma linha de ação decisiva para atuar no tribunal internacional em favor do “amigo Alexandre”, assegurando que nada cobraria pelo trabalho. Em resposta, Vorcaro confirmou que levaria a proposta diretamente a Moraes. O episódio se insere em uma sequência de aproximações: o ex-banqueiro havia registrado o contato telefônico do magistrado em 26 de dezembro de 2023. Poucas semanas depois, em 11 de janeiro de 2024, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, remeteu a Vorcaro a minuta de um contrato de R$ 129 milhões — montante expressivo que evidencia o volume financeiro transacionado nas órbitas de influência em Brasília.
As sanções contra o ministro duraram cerca de seis meses, sendo revogadas em dezembro de 2025 em meio a tratativas de reaproximação diplomática entre os governos de Brasil e Estados Unidos. O tabuleiro político deixa perdas evidentes na credibilidade e na imagem de imparcialidade do STF perante a sociedade civil e investidores, enquanto a oposição ganha novos elementos para questionar os laços da cúpula do Judiciário com agentes do mercado financeiro e grandes bancas de advocacia.
Impasses no Supremo e lacunas abertas
O aprofundamento das apurações encontra-se travado no próprio Supremo Tribunal Federal. O julgamento que avalia a legalidade e a validade do relatório da Polícia Federal — documento que detalha 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes — foi paralisado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem data definida para devolução ao plenário. Ainda não se sabe se o magistrado aceitou de fato a estratégia apresentada pelo advogado ou se houve desdobramentos formais daquela proposta perante órgãos estrangeiros, lacuna que os autos ainda não esclareceram.
O que está em jogo: a análise no plenário do STF sobre o relatório da Polícia Federal determinará se Moraes responderá a investigações formais por suas ligações com Daniel Vorcaro e pelo contrato de R$ 129 milhões enviado por Viviane Barci de Moraes, dependendo da liberação do voto-vista retido por Flávio Dino.
Com informacoes de revistaoeste.com.