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Plano secreto tentou blindar Moraes de sanção dos EUA

Mensagens revelam articulação de advogado para livrar Alexandre de Moraes da Lei Magnitsky após sanções impostas pelos Estados Unidos.

Por Redação Ponto FixoPublicado 23/09/2026 às 07h03· 3 min de leitura
Plano secreto tentou blindar Moraes de sanção dos EUA
Foto: Montagem sobre divulgação

A teia de relações entre figuras do meio financeiro e a mais alta corte judicial brasileira ganhou um novo capítulo com a revelação de diálogos obtidos pela Polícia Federal. O advogado Walfrido Warde ofereceu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro uma estratégia jurídica internacional com o objetivo de livrar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, das punições determinadas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky. As conversas, que vieram a público a partir do celular do empresário, demonstram a articulação de bastidores apenas dois dias após a aplicação formal das medidas punitivas pela Casa Branca.

A ofensiva de Washington ocorreu em agosto de 2025, no âmbito de sanções do governo de Donald Trump direcionadas a autoridades estrangeiras acusadas de violações a direitos humanos. O mecanismo da Lei Magnitsky impõe severas restrições bancárias e patrimoniais em solo americano, configurando verdadeiro isolamento das instituições financeiras globais. Warde propôs acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sustentando a tese de que o presidente norte-americano utilizava poderes de Estado para pressionar um juiz brasileiro visando viabilizar politicamente a candidatura de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.

Articulações e contrato milionário sob suspeita

Nas mensagens datadas de 1º de agosto de 2025, o advogado afirmou ter uma linha de ação decisiva para atuar no tribunal internacional em favor do “amigo Alexandre”, assegurando que nada cobraria pelo trabalho. Em resposta, Vorcaro confirmou que levaria a proposta diretamente a Moraes. O episódio se insere em uma sequência de aproximações: o ex-banqueiro havia registrado o contato telefônico do magistrado em 26 de dezembro de 2023. Poucas semanas depois, em 11 de janeiro de 2024, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, remeteu a Vorcaro a minuta de um contrato de R$ 129 milhões — montante expressivo que evidencia o volume financeiro transacionado nas órbitas de influência em Brasília.

As sanções contra o ministro duraram cerca de seis meses, sendo revogadas em dezembro de 2025 em meio a tratativas de reaproximação diplomática entre os governos de Brasil e Estados Unidos. O tabuleiro político deixa perdas evidentes na credibilidade e na imagem de imparcialidade do STF perante a sociedade civil e investidores, enquanto a oposição ganha novos elementos para questionar os laços da cúpula do Judiciário com agentes do mercado financeiro e grandes bancas de advocacia.

Impasses no Supremo e lacunas abertas

O aprofundamento das apurações encontra-se travado no próprio Supremo Tribunal Federal. O julgamento que avalia a legalidade e a validade do relatório da Polícia Federal — documento que detalha 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes — foi paralisado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem data definida para devolução ao plenário. Ainda não se sabe se o magistrado aceitou de fato a estratégia apresentada pelo advogado ou se houve desdobramentos formais daquela proposta perante órgãos estrangeiros, lacuna que os autos ainda não esclareceram.

O que está em jogo: a análise no plenário do STF sobre o relatório da Polícia Federal determinará se Moraes responderá a investigações formais por suas ligações com Daniel Vorcaro e pelo contrato de R$ 129 milhões enviado por Viviane Barci de Moraes, dependendo da liberação do voto-vista retido por Flávio Dino.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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