Uma sessão parlamentar na Geórgia foi interrompida por uma briga generalizada entre deputados, refletindo a profunda polarização política no país causada por uma controversa lei de influência estrangeira e o impasse com a União Europeia.

A tensa atmosfera política na Geórgia escalou para um confronto físico no Parlamento na última sexta-feira (26), quando deputados trocaram socos e empurrões, forçando a suspensão da sessão legislativa. O incidente ocorreu em meio ao discurso do primeiro-ministro Irakli Kobakhidze, que apresentava seu relatório anual, e sublinha a crescente polarização em torno de uma controversa lei de influência estrangeira e as relações do país com a União Europeia.
O embate teve início quando o deputado oposicionista Giorgi Sharashidze, da legenda Pela Geórgia, criticou duramente o premiê e o partido governista Sonho Georgiano, alegando que a sigla não merecia seu líder e que membros da base aliada concordavam com ele. A declaração provocou reações imediatas e a situação rapidamente degringolou para uma briga generalizada, envolvendo dezenas de parlamentares e exigindo a intervenção dos seguranças para restaurar a ordem.
O pano de fundo para a explosão de violência é uma profunda divisão política, exacerbada pela recente aprovação de uma lei que exige o registro estatal de organizações civis e midiáticas que recebem mais de 20% de financiamento externo. Críticos, tanto dentro quanto fora do país, apontam que a medida é inspirada em legislações russas usadas para silenciar dissidentes e afasta a Geórgia de seus valores democráticos, gerando protestos diários na capital Tbilisi.
Essa lei gerou severas críticas da União Europeia, que paralisou o processo de adesão da Geórgia e interrompeu transferências de fundos militares, alegando que a norma fere princípios democráticos. Os Estados Unidos também impuseram restrições de visto a políticos georgianos envolvidos na aprovação da medida. O primeiro-ministro, por sua vez, defende a lei como uma forma de proteger a soberania nacional contra interferências externas, enquanto a oposição vê uma guinada autoritária.
As consequências do tumulto incluem o adiamento da apresentação do relatório anual do primeiro-ministro e a avaliação de possíveis punições disciplinares contra os parlamentares envolvidos. Com eleições parlamentares previstas para outubro deste ano, o incidente no Parlamento destaca a fragilidade do cenário político georgiano e o risco de mais confrontos em um país dividido entre a busca por maior alinhamento com o Ocidente e a defesa de uma soberania que, segundo críticos, pende para o autoritarismo.
O que está em jogo: A briga parlamentar na Geórgia expõe a profunda divisão política do país, ameaçando sua trajetória de adesão à União Europeia e intensificando o debate sobre liberdade de imprensa e soberania nacional, com impactos diretos nas próximas eleições.
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