Profissionais da saúde afirmam que a Secretaria de Saúde do DF não pagou pelos plantões realizados durante a detenção do ex-presidente, somando quase R$ 15 mil em atrasos para um dos médicos.

Pelo menos três médicos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) alegam não ter recebido pelos plantões realizados entre janeiro e março deste ano, período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha. Os profissionais foram convocados pela própria secretaria, via modelo Trabalho por Período Definido (TPD), para atender à determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que exigia assistência médica 24 horas.
Um dos médicos, que cumpriu oito plantões de 12 e 24 horas, incluindo turnos noturnos e fins de semana, estima ter quase R$ 15 mil a receber. Os pagamentos, segundo os profissionais, deveriam ter começado em fevereiro. Eles relatam que seguiram as orientações da SES-DF para registrar a presença, mas foram posteriormente informados de que o procedimento teria sido realizado de forma incorreta, criando um impasse para a liberação dos valores.
Durante os 57 dias em que Bolsonaro permaneceu na Papudinha, a equipe médica, que incluía também um técnico de enfermagem, prestou atendimento exclusivo ao ex-presidente, realizando avaliações ao menos três vezes por dia. O trabalho foi encerrado em 26 de março, quando Moraes autorizou a prisão domiciliar de Bolsonaro.
Os médicos afirmam que, caso os valores não sejam quitados nos próximos dias, eles pretendem recorrer à Justiça para buscar o pagamento. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal não se manifestou sobre o caso até a publicação da reportagem.
O que está em jogo: A controvérsia sobre os pagamentos aos médicos que prestaram serviços ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão levanta questões sobre a responsabilidade do Estado na remuneração de serviços emergenciais e pode resultar em ações judiciais contra a Secretaria de Saúde do DF.
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