Contrato de imóvel de luxo no Lago Sul utilizado por Fábio Luís Lula da Silva e pela lobista Roberta Luchsinger foi assinado pelo dentista Rafael Nicolau Arbex.

Novas revelações voltam a colocar o entorno familiar e empresarial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob o escrutínio público. O dentista Rafael Nicolau Arbex foi identificado como o titular que assinou o contrato de locação de uma mansão localizada no nobre bairro do Lago Sul, em Brasília. O imóvel, cujo aluguel atinge o expressivo montante de R$ 28 mil mensais, vinha sendo utilizado pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em conjunto com a lobista Roberta Luchsinger, de acordo com informações reveladas pelo jornal O Globo.
As investigações jornalísticas apontam que a negociação da residência de três quartos foi inicialmente conduzida por Roberta Luchsinger, que posteriormente transferiu a responsabilidade formal da assinatura para Arbex. A operação foi confirmada pela imobiliária TRK, enquanto o proprietário da mansão preferiu manter o silêncio perante os questionamentos da imprensa, justificando sua postura pela existência de uma cláusula contratual de confidencialidade.
A presença de Rafael Arbex no centro dessa transação imobiliária resgata personagens centrais de escândalos do passado recente do país. O dentista, que mantém laços estreitos de amizade com Lulinha e com Fernando Bittar — proprietário formal do sítio de Atibaia —, prestou depoimento à 13ª Vara Federal de Curitiba em 2018 como testemunha de defesa do presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato. À época, Arbex declarou perante a Justiça Federal que residia gratuitamente na propriedade rural paulista, além de registrar sociedade com Bittar em duas empresas da área da saúde e possuir vínculo familiar com a esposa do empresário.
Além da intricada teia de relações pessoais e documentais, a rotina da residência na capital federal também chamou a atenção. Relatos de prestadores de serviços do imóvel apontam que o endereço servia de palco para reuniões discretas envolvendo agentes políticos e empresários. Entre os frequentadores habituais de almoços e encontros no local estava o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A Polícia Federal já havia rastreado transferências que somam R$ 249 mil realizadas pela lobista em favor do ex-assessor.
Em resposta às apurações, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva negou categoricamente que o empresário tenha fixado residência no imóvel do Lago Sul ou que tenha participado de reuniões de negócios com clientes representados por Roberta Luchsinger. Por sua vez, a defesa técnica de Marcola sustentou que os repasses financeiros identificados pelas autoridades federais dizem respeito à quitação integral de um empréstimo anteriormente contraído com a lobista.
O que está em jogo: A recorrência de métodos que envolvem terceiros e aliados históricos na assunção de despesas e titularidade de imóveis de luxo frequentados pela família presidencial reacende alertas sobre a transparência no poder. Em uma República pautada pela ética e pela separação rigorosa entre interesses públicos e privados, o retorno de velhas práticas e figuras ligadas a escândalos do passado reforça a necessidade de vigilância constante das instituições e da sociedade civil sobre as movimentações nos bastidores de Brasília.
Com informacoes de revistaoeste.com.