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Lula quebra o silêncio sobre investigações contra Lulinha e nega interferência na PF: ‘Se errou, vai ser punido’

Em entrevista, presidente afirma que o filho Fábio Luís Lula da Silva deve provar inocência diante de apurações da Polícia Federal sobre suposta influência em órgãos públicos.

Por Redação Ponto FixoPublicado 23/08/2026 às 23h03· 3 min de leitura
Lula quebra o silêncio sobre investigações contra Lulinha e nega interferência na PF: 'Se errou, vai ser punido'
Foto: Lula Oficial / Wikimedia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou publicamente os inquéritos da Polícia Federal que apuram supostas irregularidades envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, amplamente conhecido como Lulinha. Em declarações concedidas à Record em entrevista veiculada no domingo, dia 23, o chefe do Executivo garantiu que não haverá qualquer blindagem institucional ou interferência política nos trabalhos da corporação policial, sustentando que cabe ao investigado apresentar sua devida defesa perante a Justiça.

Ao comentar as suspeitas que recaem sobre o filho, o mandatário adotou um tom de distanciamento processual e exigiu esclarecimentos. “Meu filho sabe: se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado”, asseverou o presidente, complementando de forma taxativa: “Mas ele tem que provar a inocência dele”. Lula reforçou a tese de que a lei deve valer para todos os cidadãos indistintamente, alegando que orientou o próprio familiar a prestar os devidos esclarecimentos formais às autoridades encarregadas das investigações.

As apurações policiais em andamento concentram-se em conversas e mensagens interceptadas entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger. Os investigadores apuram se a dupla praticou tráfico de influência ou atuou de maneira irregular para abrir portas e obter facilidades em estruturas do governo federal, especificamente dentro do Ministério da Saúde e da Dataprev. Conduzidos sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), os inquéritos também analisam as relações e a proximidade de Lulinha com o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Entre os elementos reunidos pela PF, destacam-se registros de diálogos datados de março de 2024, nos quais Roberta Luchsinger projeta ambições financeiras ao escrever: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça”. A essa mensagem, Lulinha respondeu: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”. Diante dessas revelações, o presidente Lula declarou na entrevista que defende o ressarcimento integral aos cofres públicos caso a perícia confirme eventuais prejuízos causados aos órgãos estatais pelo suposto esquema.

Aproveitando a temática para enviar mensagens a opositores e demarcar a postura de seu mandato, o presidente sustentou manter total respeito à autonomia das instituições republicanas. “Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”, argumentou Lula, negando veementemente qualquer tentativa de retaliação a servidores ou pressão política sobre as autoridades que conduzem apurações sensíveis ao Palácio do Planalto.

O que esta em jogo: A condução transparente e independente das investigações sobre o uso de influência na máquina pública toca diretamente na integridade moral da administração e no respeito ao Estado de Direito. Em uma república pautada pela impessoalidade e pelo zelo com o patrimônio comum, a atuação de órgãos como o Ministério da Saúde e a Dataprev deve ser estritamente técnica, imune a privilégios de parentesco ou articulações de bastidores. O desdobramento do caso no STF servirá como teste crucial para a autonomia das instituições fiscalizadoras frente ao poder central.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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