Presidente apoia candidatura de ex-tesoureiro do PT condenado no Mensalão e na Lava Jato à Câmara dos Deputados. Veja os detalhes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou apoio formal à candidatura do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares (GO), que concorre a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em gravação veiculada em 28 de setembro de 2026 com elementos gráficos da campanha do candidato, o mandatário classificou o antigo dirigente partidário como alguém que enfrentou a “maior perseguição já feita na história” e pediu uma mobilização direta do eleitorado, sustentando que sua eleição representaria uma oportunidade de recuperação da dignidade.
Histórico judicial no Mensalão e Lava Jato
A reabilitação eleitoral de Delúbio Soares contrasta com um histórico de condenações judiciais de grande repercussão nacional. Em 2013, no julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o escândalo do Mensalão, Delúbio foi condenado a dois anos e três meses de reclusão por formação de quadrilha e a seis anos e oito meses por corrupção ativa, além do pagamento de 250 dias-multa arbitrados em cinco salários mínimos cada. O esquema apurava repasses financeiros a parlamentares para a garantia de base aliada no Congresso Nacional. No ano seguinte, a Suprema Corte anulou a acusação de formação de quadrilha, e, em março de 2016, o ministro Luís Roberto Barroso concedeu indulto da pena restante após o cumprimento de dez meses sem faltas graves.
A trajetória processual do ex-tesoureiro voltou a cruzar os tribunais durante a Operação Lava Jato, na qual o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) o condenou por lavagem de dinheiro, estabelecendo pena definitiva de seis anos de reclusão em regime fechado em 2018. Contudo, em março de 2023, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou integralmente a sentença, declarando a incompetência da Justiça Federal e remetendo os autos à Justiça Eleitoral por envolver conexão com delitos de caixa dois. Ao todo, considerando ambas as ações, o ex-dirigente cumpriu aproximadamente dois anos e três meses de reclusão e regime semiaberto antes das anulações e decisões favoráveis.
Reabilitação política de antigos quadros
O movimento em favor de Delúbio Soares repete a estratégia recentemente adotada por Lula com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP), também figura central do Mensalão e alvo da articulação presidencial sob o argumento de “reparação histórica”. Com a vinculação direta de sua imagem aos antigos operadores das campanhas petistas, o Palácio do Planalto assume abertamente a defesa de nomes que protagonizaram os maiores escândalos políticos das últimas décadas, transferindo capital político para reorganizar sua base no Legislativo.
No tabuleiro das disputas de poder, a cúpula partidária ganha fôlego ao tentar legitimar novamente suas figuras históricas por meio do voto popular, enquanto opositores e defensores da integridade pública apontam o afrouxamento da memória institucional sobre desvios comprovados. Resta ainda em aberto se o eleitorado goiano chancelará nas urnas essa tentativa de retorno e qual será a decisão da Justiça Eleitoral sobre eventuais contestações formais das novas candidaturas.
O que está em jogo: a resposta imediata das urnas à tentativa do Partido dos Trabalhadores de validar politicamente Delúbio Soares e José Dirceu, demonstrando se o respaldo pessoal de Lula terá força eleitoral suficiente para superar o desgaste decorrente das condenações do Mensalão e da Lava Jato na disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados.
Com informacoes de revistaoeste.com.