Pela primeira vez na história, a publicidade digital superou a TV aberta em investimentos no Brasil, concentrando 38,3% do mercado e sinalizando uma mudança estrutural no setor.

A verba publicitária destinada à internet superou a da TV aberta no Brasil pela primeira vez, marcando um ponto de inflexão na dinâmica do mercado de mídia. Dados do Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário (Cenp) revelam que o setor digital atraiu R$ 2,14 bilhões em investimentos no primeiro trimestre de 2026, representando um avanço de 24,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esta ascensão posiciona a internet com 38,3% da verba total para publicidade, enquanto a TV aberta ficou com R$ 1,75 bilhão, equivalente a 31,3% do mercado.
Esta mudança não é um evento isolado, mas a consolidação de uma tendência observada nos últimos anos. Em 2023, a internet detinha 33,9% dos investimentos, contra 46,3% da TV aberta. No ano seguinte, a participação digital cresceu para 36,3%, com a televisão caindo para 42,4%. Em 2025, os dois meios já apresentavam números muito próximos: 36,5% para a internet e 37,1% para a TV aberta. O primeiro trimestre de 2026, portanto, não apenas confirmou a liderança do ambiente digital, mas também ampliou a distância em relação ao veículo tradicional, que, por sua vez, registrou uma leve retração de 0,25% na comparação anual.
O crescimento expressivo da publicidade digital é impulsionado por formatos cada vez mais sofisticados e engajadores. Dentro desse universo, os anúncios em vídeo se destacaram com o maior avanço, registrando um aumento de 82% nos aportes em relação ao primeiro trimestre de 2025, saltando de R$ 124,2 milhões para R$ 226 milhões. Atualmente, esse formato já responde por 10,6% de toda a publicidade digital no país. As redes sociais, por sua vez, mantiveram sua relevância, concentrando 24,8% dos investimentos digitais, enquanto os tradicionais anúncios em display (banners e peças gráficas) ainda respondem pela maior fatia, com 58% dos investimentos.
Este cenário reflete uma transformação mais ampla nos hábitos de consumo de informação e entretenimento da população brasileira. O tempo despendido em plataformas digitais, o fácil acesso a conteúdo sob demanda e a capacidade de segmentação e mensuração de resultados que o ambiente online oferece, são fatores cruciais para a migração dos investimentos publicitários. Para os anunciantes, a internet proporciona um terreno fértil para campanhas mais direcionadas e eficientes, com um ROI (Retorno sobre o Investimento) muitas vezes superior ao dos meios tradicionais.
A ultrapassagem da internet sobre a TV aberta na arrecadação publicitária não apenas reconfigura o panorama da mídia brasileira, mas também levanta questões importantes sobre o futuro da televisão. Embora ainda seja um player relevante, o declínio gradual da TV aberta sugere que as emissoras precisarão inovar e se adaptar ainda mais rapidamente para manter sua competitividade. A busca por novos modelos de negócios, a integração com plataformas digitais e a personalização de conteúdo se tornam imperativos em um mercado cada vez mais fragmentado e dominado pela lógica do consumo digital.
O que está em jogo: A liderança da internet na verba publicitária nacional representa uma reconfiguração definitiva do poder de alcance e influência entre os meios de comunicação, impactando estratégias de marketing, modelos de negócio e o próprio consumo de informação no Brasil.
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