O governo Lula já desembolsou R$ 954,5 milhões em publicidade institucional desde o início do mandato, com R$ 178 milhões apenas nos primeiros meses de 2026, e os valores crescem anualmente, gerando questionamentos legais no TSE.

Os gastos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com publicidade institucional se aproximam da marca de um bilhão de reais, revelando uma escalada nas despesas desde o início do terceiro mandato. Entre 1º de janeiro de 2023 e 15 de junho de 2026, a Presidência da República destinou R$ 954,5 milhões à divulgação de campanhas oficiais, conforme levantamento baseado em dados da Secretaria de Comunicação (Secom).
Apenas nos primeiros cinco meses e meio de 2026, o montante desembolsado alcançou R$ 178 milhões. Este valor representa cerca de 20% do total gasto desde o começo da gestão e, caso o ritmo de investimento em propaganda seja mantido, poderá superar as despesas de 2025. Os dados oficiais mostram um crescimento progressivo: R$ 175,9 milhões em 2023, R$ 234,9 milhões em 2024 e R$ 365,7 milhões em 2025.
É importante ressaltar que esses números se referem exclusivamente às despesas da Presidência da República, não englobando os gastos de ministérios, empresas estatais e sociedades de economia mista, como a Petrobras. A inclusão desses outros orçamentos certamente elevaria consideravelmente o total geral de investimentos em publicidade pelo Estado.
O Grupo Globo tem sido o principal beneficiário dessa verba, recebendo R$ 267 milhões em publicidade da Secom entre janeiro de 2023 e 15 de junho de 2026. Este montante corresponde a 25,6% de toda a verba de propaganda administrada pelo Palácio do Planalto no período, evidenciando a concentração dos recursos em um único conglomerado de mídia.
A magnitude desses gastos já resultou em uma ação judicial movida pelo Partido Liberal (PL) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legenda questiona se o governo ultrapassou o limite legal de despesas com propaganda institucional no primeiro semestre de um ano eleitoral. O PL solicita a suspensão das campanhas em andamento e exige a apresentação detalhada de todos os gastos pela Secom, o que pode abrir um novo capítulo no debate sobre a gestão da verba pública destinada à comunicação.
O que está em jogo: A discussão sobre os gastos do governo com publicidade institucional envolve a transparência no uso do dinheiro público, os limites legais para campanhas em anos eleitorais e a distribuição desses recursos entre os veículos de comunicação, podendo gerar implicações jurídicas e políticas significativas para a atual gestão.
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