Instituto AtlasIntel ajusta metodologia de suas pesquisas eleitorais, excluindo testes em vídeo em respeito a deliberação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A AtlasIntel, um dos mais atuantes institutos de pesquisa eleitoral no cenário brasileiro, anunciou uma alteração significativa em sua metodologia para os próximos levantamentos. De acordo com Andrei Roman, CEO da empresa, as novas pesquisas não incluirão a exibição de vídeos aos entrevistados, uma decisão tomada em respeito a uma deliberação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que avalia a legalidade e o impacto desse tipo de abordagem.
A mudança surge enquanto o TSE analisa um levantamento anterior da AtlasIntel, que havia medido o impacto político de um caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Na ocasião, o instituto apresentou vídeos relacionados ao caso aos entrevistados antes de repetir perguntas sobre intenção de voto, o que gerou contestação por parte da defesa do senador e motivou a intervenção do TSE.
Embora a decisão definitiva do tribunal ainda não tenha sido emitida, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, chegou a determinar a suspensão da divulgação da pesquisa questionada. A interrupção do julgamento antes de sua conclusão levou a AtlasIntel a uma postura preventiva, adaptando suas práticas para evitar novos questionamentos e demonstrar conformidade com os anseios do judiciário eleitoral.
A próxima pesquisa da AtlasIntel, que deve ser divulgada na quarta-feira, abordará temas de grande repercussão política, como a operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e as declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre Flávio Bolsonaro. Contudo, para se alinhar à deliberação do TSE, esses temas serão explorados sem o recurso visual que causou a controvérsia.
A decisão da AtlasIntel ressalta a complexidade e a sensibilidade do ambiente eleitoral brasileiro, onde a metodologia de pesquisas pode ser alvo de escrutínio rigoroso. A precisão e a imparcialidade são cruciais, e qualquer elemento que possa ser interpretado como indutor ou influenciador da percepção do eleitor é passível de questionamento, especialmente em um contexto de polarização e intensa disputa política.
O que está em jogo: A adequação das metodologias de pesquisa eleitoral frente às normas e interpretações do TSE é crucial para garantir a lisura do processo democrático e a credibilidade dos levantamentos, podendo influenciar a forma como os institutos operam e divulgam seus dados no futuro.
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