Precipitações volumosas e episódios de granizo elevam custos de manejo no campo e provocam alta nos preços de hortaliças essenciais nas Ceasas.

As intensas precipitações registradas entre os meses de agosto e setembro desestabilizaram o ritmo da horticultura nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Episódios atípicos de chuvas volumosas, acompanhados por quedas de granizo em localidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, alteraram profundamente o ciclo de cultivo de produtos indispensáveis à mesa das famílias, como alface, rúcula e tomate. Tradicionalmente, setembro costuma ser um período favorável para a colheita de folhosas de alta qualidade, mas o excesso de umidade quebrou a regularidade do setor produtivo e impôs pesadas perdas aos agricultores.
O impacto agronômico direto foi a proliferação acelerada de pragas e doenças fúngicas e bacterianas, impulsionada pelo solo constantemente encharcado e pela baixa luminosidade. Para tentar conter a deterioração das lavouras, os produtores rurais foram forçados a reaplicar defensivos agrícolas com maior frequência, uma vez que a água constante lava as aplicações das folhas. Embora o volume de chuvas tenha reduzido a necessidade de irrigação artificial e gerado economia pontual na conta de luz dos sistemas de bombeamento, o encharcamento provocou a lixiviação de nutrientes vitais, como o nitrogênio, exigindo novas rodadas de adubação e elevando expressivamente os custos operacionais.
Nas estruturas de cultivo protegido, o cenário também demandou gastos adicionais. Sem ventilação natural adequada devido à alta nebulosidade e umidade retida, os horticultores precisaram acionar exaustores e sistemas de ventilação forçada de forma contínua, aumentando a fatura de energia elétrica. Do ponto de vista comercial, as hortaliças colhidas apresentaram perda de padrão: folhas rasgadas, amareladas e com manchas provocadas pelo granizo reduziram a durabilidade pós-colheita dos alimentos, acelerando o apodrecimento durante o transporte e encurtando a vida útil nas prateleiras dos supermercados e nas geladeiras dos lares.
A cadeia de suprimentos também sofreu entraves logísticos severos, com a lama dificultando a movimentação de tratores nas lavouras e de caminhões nas estradas rurais. Essa combinação de quebra de safra, perda de qualidade física e aumento nos custos de produção reduziu a oferta nas centrais de abastecimento (Ceasas), provocando oscilações e altas expressivas nos preços de itens fundamentais da cesta de hortifrúti, incluindo batata, cebola e tomate, além das tradicionais folhas verdes.
Diante das adversidades do tempo, o setor produtivo evidencia que o enfrentamento das oscilações climáticas depende da modernização e da gestão técnica das propriedades. O investimento em infraestrutura, como sistemas eficientes de drenagem, estufas tecnológicas e a integração da experiência prática com ferramentas de análise de dados e previsões meteorológicas, mostra-se o caminho sustentável para mitigar riscos, garantir a rentabilidade de quem produz e manter o abastecimento estável para a sociedade.
O que esta em jogo: A pressão climática sobre a horticultura reflete a vulnerabilidade dos custos dos alimentos básicos a fatores sazonais e de infraestrutura. Quando o produtor enfrenta perdas na lavoura e elevação nos custos de insumos, o efeito inflacionário atinge diretamente o orçamento das famílias, ressaltando a relevância de investimentos contínuos em tecnologia agrícola e melhorias logísticas no campo para preservar a segurança alimentar e o poder de compra da população.
Com informacoes de revistaoeste.com.