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Empresa ligada a traficante recebeu mais de R$ 1 milhão de PSDB e PSD

Partidos políticos, incluindo o PSDB Nacional e o PSD de Minas Gerais, realizaram pagamentos significativos a uma empresa de táxi aéreo cuja proprietária foi denunciada por formação de quadrilha, em investigação que a liga a uma das maiores traficantes do país.

Por Redação Ponto FixoPublicado 29/06/2026 às 09h02· 3 min de leitura
Empresa ligada a traficante recebeu mais de R$ 1 milhão de PSDB e PSD
Foto: Wikimedia / Wikimedia

Partidos políticos de expressão nacional, como o PSDB Nacional e o PSD de Minas Gerais, efetuaram pagamentos que somam mais de R$ 1,1 milhão à CNM Aviação, uma empresa de táxi aéreo. A proprietária da empresa, Juliana Costa Nobre Magalhães, foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2023 por formação de quadrilha. A investigação aponta para a atuação de Juliana dentro de um grupo criminoso liderado por Karina Campos, conhecida como a “rainha do pó” e atualmente foragida, implicada no envio de cocaína para a Europa.

Os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) detalham os valores: o PSDB Nacional destinou R$ 551,7 mil e o PSD de Minas Gerais, R$ 555,4 mil à CNM Aviação. Segundo o MPF, Juliana era a “gerente-executiva” da organização criminosa investigada na Operação Flight Level, da Polícia Federal, e é irmã do traficante Leonardo Costa Nobre. A CNM Aviação, aberta em 2021, opera no mesmo hangar que já foi utilizado pela BHZ Táxi Aéreo, outra empresa ligada a Leonardo Costa Nobre, e onde autoridades apreenderam 175 kg de cocaína em 2020.

Os gastos do PSDB ocorreram em abril e maio de 2022, sob a presidência do então ex-deputado Bruno Araújo. Já as despesas do PSD de Minas se concentraram entre maio e setembro de 2022, com um pagamento adicional em junho de 2023. Ambos os partidos, em notas oficiais, afirmaram desconhecer as investigações contra a proprietária da empresa. O PSDB declarou que a empresa apresentou toda a documentação necessária e que a contratação ocorreu dentro da legalidade, enquanto o PSD garantiu ter feito uma análise rigorosa do CNPJ e que nenhuma irregularidade foi verificada na época da contratação.

A atuação de Juliana Costa Nobre Magalhães, conforme a denúncia do MPF, envolveu a constituição e administração de empresas em nome de outros membros da organização criminosa, André Eleutério e seu irmão Leonardo, após a prisão deles. Atualmente, Juliana cumpre liberdade provisória após um período de prisão preventiva, enquanto o processo segue na Justiça Federal em Minas Gerais. Além dos grandes partidos, a CNM Aviação também recebeu verbas de campanhas eleitorais de 2022, incluindo as de Alexandre Kalil (PSD), Eros Biondini (PL) e Chiara Biondini (PL).

A gravidade da situação reside na infiltração de recursos de campanhas e partidos em empresas com comprovadas ligações com o crime organizado. Isso levanta sérias questões sobre a fiscalização das movimentações financeiras no ambiente político e a diligência dos partidos na escolha de seus fornecedores. A conexão entre o dinheiro público de partidos e campanhas e redes de tráfico de drogas representa um desafio significativo para a integridade do sistema eleitoral e para a segurança pública.

O que está em jogo: A revelação desses pagamentos expõe a vulnerabilidade do sistema político a empresas ligadas ao crime organizado, levantando questionamentos sobre a fiscalização partidária e a origem do dinheiro em campanhas, podendo impactar a credibilidade das instituições e a efetividade das operações de combate ao narcotráfico.

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