Raquel Lyra e João Campos empatam com 42% na Quaest e duelam sobre segurança e apostas em debate decisivo da TV Globo. Veja os detalhes.

O cenário eleitoral em Pernambuco atingiu o ápice de polarização durante o debate transmitido pela TV Globo, realizado em uma terça-feira, 29, às vésperas do primeiro turno. A disputa pelo Palácio do Campo das Princesas coloca frente a frente dois projetos antagônicos em um momento de absoluta paridade nas pesquisas: o mais recente levantamento da Quaest apontou um empate exato de 42% das intenções de voto entre a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Com o eleitorado dividido em fatias idênticas que somam 84% da preferência estadual, o confronto direto entre os líderes serviu como teste decisivo para convencer a parcela restante de indecisos.
Segurança pública e avanço do crime
O embate sobre a segurança pública e a preservação da ordem evidenciou divergências estruturais na condução das políticas de combate à criminalidade. João Campos abriu fogo contra os índices estaduais, alegando que facções criminosas expandiram sua atuação em território pernambucano nos últimos anos. Em contrapartida, Raquel Lyra defendeu as ações e resultados de sua gestão à frente do Executivo estadual e confrontou o adversário ao questionar a eficácia de medidas adotadas durante seu mandato como prefeito da capital, colocando em pauta a responsabilidade municipal na prevenção primária da violência.
A discussão ganhou contornos de confronto moral e de integridade social quando o setor de apostas on-line entrou na pauta. O candidato Ivan Moraes (Psol) cobrou Campos a respeito da redução da alíquota do ISS concedida às empresas de apostas durante sua gestão no Recife. O pessebista rebateu afirmando ser pessoalmente contrário à atividade de jogos e justificou que a alteração tributária municipal ocorreu estritamente para adequar o ordenamento local após a aprovação do marco regulatório pelo Congresso Nacional. O episódio expôs a contradição entre a defesa do aumento de arrecadação e a leniência com mercados que impactam o orçamento e a estabilidade das famílias.
Bets e alianças sob fogo cruzado
Aproveitando a vulnerabilidade do adversário no tema das apostas esportivas, Raquel Lyra adotou uma postura firme contra a proliferação desenfreada dessas plataformas, alertando que o setor facilita a lavagem de dinheiro e fortalece o crime organizado. Como contraproposta prática para mitigar os danos à saúde mental e financeira da população, a governadora anunciou a criação do programa Acolhimento Digital, voltado ao suporte de dependentes de jogos. O tema gerou desgastes para Campos, obrigado a explicar facilidades concedidas a uma indústria controversa perante os setores que prezam pela proteção da família e do trabalho produtivo.
As alianças político-ideológicas também provocaram faíscas no estúdio. Ivan Moraes confrontou a aproximação de João Campos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relembrando a atuação do PSB favorável ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Em resposta, o ex-prefeito defendeu sua atual vinculação ao petismo e tentou desgastar Raquel Lyra, acusando-a de manter articulações com figuras ligadas a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, o debate não esclareceu como os candidatos pretendem equilibrar as contas públicas nem os detalhes orçamentários do suporte a viciados em jogos anunciado pelo governo.
O que está em jogo: A definição do comando de Pernambuco depende da capacidade de Raquel Lyra e João Campos em capturar os 16% dos votos fora do empate de 42% medido pela Quaest. Enquanto Raquel busca consolidar seu capital político ao reforçar pautas de enfrentamento ao crime e combate aos efeitos nocivos das bets, Campos tenta blindar sua gestão no Recife e manter coesa a aliança com a esquerda federal nas urnas do primeiro turno.
Com informacoes de revistaoeste.com.