Durante evento oficial em Governador Valadares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disparou críticas a antecessores e adversários políticos ao falar sobre repasses e infraestrutura.

Durante uma agenda oficial realizada no município de Governador Valadares, em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o palanque institucional para desferir duras críticas a adversários políticos. Em um discurso marcado por forte tom eleitoral e confrontativo, o petista mirou nominalmente no ex-presidente Michel Temer e no ex-governador mineiro Romeu Zema, buscando transferir responsabilidades históricas sobre o endividamento e os problemas de gestão enfrentados pelo estado.
O evento oficial tinha como foco inicial o anúncio de investimentos públicos federais em infraestrutura viária na região, com destaque para a duplicação das rodovias federais BR-116 e BR-251. Em sua fala, Lula fez questão de exaltar o volume de verbas da União destinadas ao território mineiro, desafiando a plateia: “Quero que pesquisem se, em algum momento na história deste país, algum presidente pôs a quantidade de recursos em Minas Gerais que nós estamos colocando para fazer estradas, recuperar estradas e recuperar rodovias”.
No entanto, o teor da cerimônia logo derivou para a arena das disputas partidárias passadas e presentes. Ao sair em defesa da gestão do ex-governador petista Fernando Pimentel, que enfrentou severas crises fiscais e atrasos em folhas de pagamento durante seu mandato, Lula direcionou ofensas a Michel Temer, a quem se referiu como “aquela coisa”. Segundo o mandatário, o governo federal da época se recusou a auxiliar o correligionário petista: “Aquela coisa que governou o Brasil não fez negociação da dívida do Estado, não ajudou o Pimentel. Então, o Pimentel muitas vezes não pôde nem pagar salário de funcionário”. O presidente ressaltou ainda que Pimentel só conseguiu suspender o pagamento da dívida ao obter uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF).
A ofensiva verbal também recaiu sobre o ex-governador Romeu Zema, figura de oposição que construiu sua carreira política com base no discurso de responsabilidade fiscal e enxugamento da máquina estatal. Em tom irônico, o presidente atacou Zema dizendo: “Aí entrou aquele rapaz que come banana com casca”. Na sequência, Lula acusou o ex-gestor mineiro de ter agravado a crise orçamentária regional, afirmando que ele “ficou oito anos sem pagar a dívida, a ponto de ela chegar a quase R$ 179 bilhões”.
O que esta em jogo: A postura adotada em palanques públicos reflete a estratégia do Palácio do Planalto de usar o orçamento e obras federais como ferramentas de pressão política e palanque em estados estratégicos. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e polo decisivo em qualquer pleito nacional, torna-se o centro de uma disputa narrativa: de um lado, a tentativa do governo central de reescrever os fracassos econômicos de administrações passadas do PT e desgastar lideranças liberais; de outro, o desafio da responsabilidade orçamentária dos entes federativos em meio a déficits bilionários herdados ao longo de décadas.
Com informacoes de revistaoeste.com.