Levantamento do Datafolha mostra disputa polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o senador à frente nos segmentos de maior renda e entre evangélicos.

Um novo levantamento divulgado pelo instituto Datafolha nesta sexta-feira, 21, detalha as divisões demográficas e ideológicas do eleitorado brasileiro em uma eventual disputa de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No cenário geral da simulação para a rodada final, o petista aparece com 47% das intenções de voto, enquanto o parlamentar marca 43%. Em comparação com a sondagem de julho, quando os números apontavam 48% a 43%, o quadro segue demonstrando um país politicamente fragmentado e competitivo nas principais faixas socioeconômicas.
A análise dos recortes sociais evidencia uma clara clivagem de valores e percepção econômica. Flávio Bolsonaro estabelece ampla vantagem no eleitorado evangélico, somando 62% das preferências contra 29% atribuídos ao atual presidente. Em contrapartida, Lula obtém melhor desempenho entre os católicos, superando o senador por 54% a 36%. Esse contraste reflete a consolidação da pauta de costumes, da defesa da família tradicional e dos princípios de fé como fatores decisivos na orientação do voto de parcelas expressivas da população.
No aspecto econômico, a pesquisa registra uma divisão acentuada por faixas de renda familiar. Entre os cidadãos que recebem até dois salários mínimos, Lula mantém a dianteira com 55% contra 35% de Flávio. No entanto, o representante do Partido Liberal reverte expressivamente o placar entre as classes média e alta: atinge 51% a 37% na faixa de dois a cinco salários mínimos e 54% a 39% entre os que recebem acima de cinco salários mínimos. Esses números apontam que o setor produtivo e os trabalhadores com maior autonomia financeira demonstram maior adesão ao discurso de livre mercado, responsabilidade fiscal e incentivo à iniciativa privada.
As divergências também se manifestam nos recortes por gênero e região geográfica. No eleitorado masculino, observa-se situação de empate técnico, com Flávio marcando 48% e Lula, 43%, ao passo que entre as mulheres o presidente lidera por 51% a 38%. Geograficamente, a base lulista sustenta-se no Nordeste, onde o petista tem 61% contra 30% do senador. Por outro lado, Flávio lidera no Sul por 50% a 38% e sustenta empates técnicos nas demais regiões: 46% a 43% no Sudeste e 49% a 42% no bloco Centro-Oeste/Norte.
Na simulação de primeiro turno, o petista contabiliza 39% e o senador do PL atinge 33%, reproduzindo as mesmas tendências estruturais nos estratos por crença religiosa, poder aquisitivo e localização geográfica. A pesquisa ouviu 2.058 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto, possuindo margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança estabelecido em 95%.
O que esta em jogo: A consolidação da força eleitoral de Flávio Bolsonaro entre os setores produtivos, a classe média e a comunidade evangélica reforça a resiliência do projeto conservador no Brasil. Em um momento de debates profundos sobre o rumo fiscal do país e as liberdades individuais, os dados revelam que o eleitorado que sustenta a economia real e preserva valores cristãos segue demandando alternativas baseadas em austeridade, liberdade econômica e freio ao avanço do estatismo.
Com informacoes de oantagonista.com.br.