A 2ª Turma do STF terá nova presidência com a chegada de Luiz Fux em agosto, sucedendo Gilmar Mendes, em meio a tensões recentes envolvendo o caso Master, que gerou um embate público entre Mendes e André Mendonça.

O ministro Luiz Fux assume a presidência da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de agosto, encerrado o recesso do Judiciário. A mudança, que atende ao rodízio anual obrigatório da Corte baseado em critérios de antiguidade, coloca Fux no lugar de Gilmar Mendes e ocorre em um momento de notável racha interno, especialmente evidenciado pela recente condução do caso Master.
A presidência da Turma é uma posição estratégica, pois o ministro que a ocupa define quais ações serão pautadas. Observadores do tribunal, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, esperam que a gestão de Fux trabalhe em maior sintonia com o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, em claro contraste com a abordagem anterior que gerou atritos no caso Master.
A transição de comando sucede um episódio de alta tensão, onde Gilmar Mendes pautou, de forma surpreendente, um julgamento para tentar a libertação de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do proprietário do Banco Master. A tentativa foi, contudo, vencida por 3 votos a 1. Na ocasião, Mendes criticou veementemente as prisões preventivas e acusou a relatoria de utilizar o cárcere como meio de forçar delações premiadas, traçando paralelos com métodos da Operação Lava Jato.
Em resposta direta às críticas, André Mendonça rebateu as acusações em plenário. O relator afirmou que o caso Master vai muito além de um mero crime de colarinho branco, apresentando contornos que remetem a máfia, com indícios concretos de condutas violentas orquestradas pelo grupo criminoso. Em um movimento reativo, Mendonça retirou o sigilo de duas investigações para expor ao público as fraudes bilionárias e os subornos praticados pela organização, restaurando o segredo de Justiça dias depois devido a novas buscas da Polícia Federal.
A chegada de Luiz Fux à 2ª Turma remonta a outubro de 2025, quando o magistrado solicitou sua transferência da 1ª Turma após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso abrir uma vaga no colegiado. O regimento interno do STF impede a reeleição imediata para a chefia da Turma, exigindo que todos os cinco membros exerçam o mandato de um ano antes que o ciclo de revezamento se reinicie. Este rodízio busca equilibrar o poder e a responsabilidade entre os ministros, garantindo uma alternância que, neste caso, pode sinalizar uma mudança de direção em pautas sensíveis.
O que está em jogo: A assunção de Fux à presidência da 2ª Turma pode redefinir o curso de importantes processos, especialmente aqueles ligados à Operação Compliance Zero e ao caso Master, com potencial impacto nas decisões judiciais e na percepção pública sobre a atuação do STF em casos de grande repercussão.
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