Rio de Janeiro terá 15 candidatos para duas vagas no Senado em 2026. Quadro traz racha na direita e indefinições jurídicas.

O cenário eleitoral para o Senado Federal no Rio de Janeiro desenha uma das disputas mais fragmentadas e estratégicas dos últimos ciclos políticos. Com a renovação de duas cadeiras na Casa Alta marcada para 4 de outubro de 2026, a Justiça Eleitoral contabiliza 15 candidaturas registradas no Estado. O pleito fluminense reflete o xadrez nacional, onde a composição do Senado assumiu papel primordial no equilíbrio institucional da República, na contenção de excessos jurídicos e na defesa de pautas fundamentais como a liberdade econômica e as garantias individuais.
Diferente da eleição majoritária para o Executivo, a disputa de duas vagas simultâneas altera a dinâmica de transferência de votos. O Partido Liberal (PL) optou por lançar dois quadros consolidados: o atual senador Carlos Portinho, que assumiu o mandato efetivo em 2020 após ter sido eleito primeiro suplente em 2018, e o deputado federal Carlos Jordy, expoente da base conservadora na Câmara dos Deputados. O campo do Republicanos também se posiciona com o ex-senador e deputado federal Marcelo Crivella e com o ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho.
Fragmentação partidária e estratégia eleitoral
Do lado da esquerda, a pulverização também é evidente, reunindo desde nomes tradicionais até legendas radicais. A deputada federal Benedita da Silva (PT) e o deputado Pedro Paulo (PSD) concorrem formalmente integrados na coligação governista “Juntos para Mudar, Coragem para Reconstruir”. Contudo, legendas como Psol, PSTU, UP e PCO lançaram candidaturas próprias, com figuras como Monica Benicio (Psol), Paula Falcão (PSTU), Michelly Xavier (UP) e Vinícius Benevides (UP). Essa divisão na base ideológica costuma dispersar o eleitorado menos pragmático, beneficiando legendas com militância e bases consolidadas.
O espectro de novas forças e perfis técnicos inclui o advogado Luciano Mattos (PRTB), que comandou a Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro entre 2021 e 2024, e o empresário Helio Secco, representante do partido Missão ligado a Renan Santos. O vereador carioca Marcos Dias (Podemos) e o servidor aposentado Ó Clemente (Democrata) completam a lista de postulantes que buscam furar a polarização e capturar a preferência do eleitorado independente.
Impugnações e indefinições jurídicas
O processo eleitoral fluminense ainda lida com pendências na Justiça Eleitoral que podem alterar a composição final das urnas. André Monteiro (Democrata) optou pela renúncia, enquanto Comandante Ribeiro Afonso (Democrata) foi indeferido. Outro caso sob avaliação é o de Luiz Eugênio (PCO), que teve o registro indeferido mas recorre do resultado. Além disso, a situação de Waguinho (Republicanos) permanece com julgamento pendente nos tribunais competentes, gerando incerteza sobre a validade de sua campanha.
O que está em jogo: A definição do plenário do TSE sobre os recursos de Waguinho e Luiz Eugênio determinará a distribuição de tempo e palanques no Rio de Janeiro. Para o eleitorado conservador fluminense, a principal variável a monitorar até outubro de 2026 será se a divisão de votos entre Carlos Portinho e Carlos Jordy pelo PL permitirá a vitória de ambos para as duas cadeiras ou se abrirá espaço para a coligação de Benedita da Silva e Pedro Paulo conquistar uma das vagas na Casa Alta.
Com informacoes de revistaoeste.com.