Pesquisa CNT/MDA mostra desaprovação de Lula em 49,2% e aprovação em 47,4%, com disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro no cenário nacional.

O cenário político nacional registra um momento de inflexão com a desaprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva superando os índices de aprovação de sua gestão. Segundo dados do levantamento CNT/MDA divulgados em 3 de outubro de 2026, a taxa de reprovação pessoal ao chefe do Executivo alcançou 49,2%, ultrapassando numericamente a fatia dos que aprovam sua atuação, calculada em 47,4%. O desgaste também se reflete na avaliação geral da administração petista: 41% dos entrevistados classificam o governo federal como ruim ou péssimo, enquanto apenas 35% o consideram bom ou ótimo, evidenciando uma distância de seis pontos percentuais em desfavor do Palácio do Planalto.
Polarização nas intenções de voto
No recorte da corrida eleitoral estimulada para a Presidência da República, Lula desponta com 43% das intenções de voto no primeiro turno, acompanhado de perto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que registra 38%. Quando considerados apenas os votos válidos — critério oficial de apuração da Justiça Eleitoral que exclui brancos e nulos —, a vantagem do petista fica delimitada em 47% contra 42% do parlamentar liberal. A margem de erro do estudo é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, tendo ouvido presencialmente 2.002 eleitores entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro de 2026.
A distribuição demográfica do eleitorado demonstra uma divisão social e de valores bem definida entre os dois principais projetos políticos. Lula preserva maior aderência eleitoral entre as mulheres, o público católico, eleitores com escolaridade até o Ensino Fundamental, cidadãos com mais de 45 anos e a faixa que recebe até dois salários mínimos. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro consolida vantagem consistente entre o eleitorado jovem, o expressivo segmento evangélico e os brasileiros que concluíram o Ensino Superior, refletindo o peso das pautas de liberdade econômica, conservadorismo e renovação geracional.
Disputa regional e segundo turno
Na divisão geográfica do país, o atual presidente mantém ampla dianteira na maioria dos estados, mas o senador do Partido Liberal desponta na liderança na Região Sudeste. O colégio eleitoral do Sudeste, por concentrar os maiores colégios de votantes como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, historicamente define o desfecho das eleições majoritárias no Brasil. Em uma eventual simulação de segundo turno direto entre os dois postulantes, o petista soma 47% das preferências contra 43% de Flávio Bolsonaro, restando 7,6% de votos em branco ou nulos e 1,9% de indecisos que não souberam ou não quiseram opinar.
Embora a sondagem quantifique as intenções de voto e a avaliação governamental no início de outubro de 2026, o levantamento não especifica as taxas de rejeição individual de cada pré-candidato nem projeta com precisão como será a transferência dos votos dos eleitores indecisos até a abertura das urnas. O que ainda não se sabe é se o peso do eleitorado de renda mais baixa conseguirá suplantar a força demonstrada pela oposição no centro econômico do país, ou se a perda de apoio nas capitais consolidará a virada do campo conservador.
O que está em jogo: A capacidade de o governo federal conter o avanço da reprovação popular de 49,2% diante da pressão exercida por Flávio Bolsonaro, que já detém 38% das intenções no primeiro turno e 43% no segundo. Cabe acompanhar se a liderança do candidato do PL no Sudeste conseguirá neutralizar as vantagens de Lula entre católicos e eleitores de até dois salários mínimos na apuração oficial.
Com informacoes de revistaoeste.com.