Disputa societária entre herdeiros da rede varejista trava centenas de imóveis enquanto o grupo enfrenta recuperação judicial de R$ 140 milhões.

A Justiça de São Paulo determinou novamente o bloqueio provisório de quotas e de centenas de imóveis pertencentes à LP Administradora de Bens, sociedade que concentra uma parcela expressiva do patrimônio da família Fares, controladora da tradicional rede varejista Marabraz. A decisão, assinada pelo desembargador Roberto Nussinkis Mac Cracken, presidente da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), atende parcialmente a uma solicitação apresentada por Nasser e Jamel Fares em uma contenda contra a gestão exercida por outros membros do grupo familiar.
O magistrado acolheu a necessidade de resguardar os ativos imobiliários enquanto o caso tramita e admitiu o recurso especial destinado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nasser e Jamel Fares, filhos do fundador da marca, Abdul Hamid Fares, contestam a legalidade de operações societárias que transferiram participações da administradora para netos do patriarca. A primeira instância havia apontado indícios de simulação na transação sob a tese de ausência de pagamento efetivo, entendimento que havia sido revertido pelo TJ-SP em setembro de 2025 diante da avaliação de insuficiência de provas de fraude.
Ao recorrer à instância superior, os herdeiros requereram não apenas o congelamento dos bens e quotas, mas também o afastamento cautelar de Abdul e Nader Fares da condução dos negócios, além da nomeação de uma administração judicial independente. A defesa de Abdul rebateu as acusações sustentando a ausência de perigo de dano ou má gestão, amparando-se em relatório técnico da BDO Auditores Independentes. O documento atesta que a empresa amortizou R$ 115 milhões em dívidas ao longo de 2024 e liquidou mais de R$ 70 milhões em operações de crédito bancário. Diante desse cenário, Mac Cracken optou por não afastar os administradores, restringindo a medida à indisponibilidade patrimonial.
A turbulência jurídica e a troca de acusações sobre retiradas financeiras e despesas pessoais ocorrem em um momento crítico para a operação comercial da Marabraz. A rede varejista formalizou recentemente um pedido de recuperação judicial para repactuar um passivo acumulado de aproximadamente R$ 140 milhões. Segundo os gestores da companhia, a deterioração das contas decorre de uma conjunção de fatores macroeconômicos adversos, incluindo a manutenção de juros elevados, retração no consumo das famílias e o impacto direto do prolongado litígio entre os próprios controladores.
O que esta em jogo: A sobreposição de disputas sucessórias e reestruturações financeiras evidencia a vulnerabilidade de grandes impérios familiares quando a governança corporativa se fragmenta. A preservação de patrimônio e a busca por liquidez em processos de recuperação judicial tornam-se sensivelmente mais complexas sob bloqueios judiciais, com reflexos diretos sobre a credibilidade junto a credores, a manutenção de postos de trabalho e a sustentabilidade de uma das marcas mais populares do comércio nacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.