Luiz Osvaldo Pastore encabeça a lista de maiores patrimônios declarados ao TSE para as eleições de 2026, em ranking dominado por suplentes e grandes empresários.

O cenário eleitoral de 2026 expõe mais uma vez a forte presença do poder econômico nas disputas políticas brasileiras. No topo da lista de patrimônios declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o empresário Luiz Osvaldo Pastore (PL) desponta como o candidato mais abastado do país, com uma fortuna informada de R$ 677,7 milhões. Concorrendo como primeiro suplente na chapa de Eduardo Gomes (PL) ao Senado pelo Tocantins, o postulante viu seus bens crescerem em relação ao pleito de 2022, quando disputou como suplente pelo Distrito Federal e havia registrado R$ 453 milhões.
Sócio de ao menos oito empresas atuantes no setor metalúrgico, a maior parte do patrimônio de Pastore está atrelada a investimentos e participações societárias. De acordo com os dados encaminhados à Justiça Eleitoral, ele também informou possuir R$ 145,4 milhões em empréstimos concedidos, R$ 12,9 milhões em objetos, móveis e obras de arte, R$ 3,35 milhões em contas bancárias no Brasil, R$ 256,5 mil no exterior e um imóvel residencial avaliado em R$ 2,9 milhões. O empresário já possui histórico no parlamento federal, tendo assumido e exercido o mandato de senador pelo Espírito Santo entre 2019 e 2022, em período de licença da titular Rose de Freitas (MDB).
O nome de Pastore ganhou notoriedade fora do meio corporativo após episódios envolvendo o Poder Judiciário. Em novembro de 2025, sua aeronave particular foi utilizada para transportar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à final da Copa Libertadores em Lima, no Peru. O voo incluiu ainda a presença de Augusto Arruda Botelho, advogado ligado a um executivo do Banco Master. O jatinho em questão não integra diretamente a relação de bens pessoais entregue ao TSE pelo candidato, visto que está registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sob a titularidade da Ibrame, uma de suas companhias.
A repercussão em torno do deslocamento aéreo intensificou-se porque, na sequência da viagem, Toffoli assumiu a relatoria do caso envolvendo o Banco Master na Suprema Corte. O ministro permaneceu na condução do processo até fevereiro, quando deixou a função após controvérsias referentes à venda de um empreendimento hoteleiro de sua família, no Paraná, para um fundo associado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A proximidade entre figuras do meio empresarial com pretensões políticas e integrantes das mais altas instâncias jurídicas segue sob constante observação pública.
O levantamento de patrimônios feito com base nos dados do TSE revela ainda outros nomes de grande porte financeiro na disputa de 2026. Em segundo lugar aparece o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), concorrente ao Senado por Santa Catarina, com R$ 613,2 milhões, seguido pelo governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), com R$ 575,68 milhões. A lista dos dez maiores patrimônios inclui ainda Fernando Irineu (PDT, R$ 501 milhões), Leonardo Avalanche (PRTB, R$ 495,2 milhões), Wilson Picler (PL, R$ 478,68 milhões), Odilio Balbinotti (PL, R$ 359,7 milhões), Vittorio Medioli (PL, R$ 356,8 milhões), Misael Varella (PSD, R$ 315,2 milhões) e Dudu Potencial (Republicanos, R$ 281 milhões).
O que esta em jogo: A expressiva quantidade de empresários com grande patrimônio concorrendo como suplentes ao Senado reforça uma estratégia recorrente na política nacional: a composição de chapas com forte suporte econômico para viabilizar campanhas de alta visibilidade. Além disso, a presença de figuras centrais do mundo dos negócios na linha direta de sucessão legislativa reacende o debate sobre a transparência, os potenciais conflitos de interesse e a necessária separação entre relações privadas, atuação institucional e os poderes da República.
Com informacoes de revistaoeste.com.