Deputado federal Jonga Bacelar sobe em palanque petista na Bahia, provocando forte reação da ala conservadora do PL e pedidos de expulsão.

A presença do deputado federal Jonga Bacelar (PL-BA) em um ato político ao lado do governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), deflagrou uma intensa crise nos bastidores do Partido Liberal. O episódio ocorreu durante um comício no município baiano de Ribeira do Pombal, realizado no sábado, 22 de agosto de 2026, ocasião em que o parlamentar ostentou publicamente um adesivo com o número 13, símbolo tradicional da legenda petista.
O gesto gerou indignação imediata entre os correligionários mais alinhados às pautas conservadoras e à liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro. Setores do PL na Bahia passaram a exigir a expulsão sumária de Bacelar, interpretando o ato como uma clara afronta aos princípios programáticos da agremiação, que se posiciona nacionalmente como a principal força de oposição às diretrizes e aos governos do Partido dos Trabalhadores.
Buscando conter a repercussão negativa e evitar punições regimentais severas, Bacelar procurou o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, para apresentar retratações. Em manifestação oficial, o parlamentar confirmou ter participado da solenidade e utilizado o adesivo petista, mas argumentou que mantém compromisso com as candidaturas da própria legenda: “João Bacelar reitera que sempre apoiou e continuará apoiando os candidatos indicados pelo PL em todas as esferas municipal, estadual, federal, mantendo-se fiel às diretrizes e ao projeto político do partido”.
A justificativa, contudo, não aplacou o descontentamento interno. Na terça-feira, 25 de agosto de 2026, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou duramente a postura do colega de partido em entrevista à Rede Comunica Brasil, contestando a condução da legenda diante do episódio. Para o ex-parlamentar, atitudes dessa natureza enfraquecem a identidade institucional perante o eleitorado que confia no projeto de direita.
Durante a entrevista, Eduardo Bolsonaro enfatizou a incoerência do gesto com a linha defendida pela sigla: “O PL perde a oportunidade de se firmar como um partido verdadeiramente conservador, ainda por cima quando faz uma nota dizendo que o deputado do partido, que estava no palanque de um cara que não tem reputação ilibada, não fez um grande governo e é diretamente ligado aos nossos inimigos. Não é plausível que o PL venha tentar dizer algo diferente daquilo que os meus olhos viram: um deputado do PL com o 13 do PT no peito e no mesmo palanque do governador petista da Bahia, Jerônimo Rodrigues”.
O que esta em jogo: o episódio expõe os constantes atritos entre o pragmatismo regional característico de alas tradicionais do partido e a consolidação de uma bancada ideológica e programática de direita no país. A flexibilização de alianças locais com forças de esquerda desafia a coerência partidária e testa a lealdade da legenda junto à sua base de eleitores, que exige compromisso firme com a defesa da liberdade, da responsabilidade e dos valores conservadores.
Com informacoes de revistaoeste.com.