Levantamento aponta que 66% dos compromissos dos presidenciáveis nos primeiros 16 dias de campanha se concentraram em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A largada oficial da corrida pela Presidência da República desenhou um mapa eleitoral nitidamente concentrado no coração econômico do Brasil. Nos primeiros 16 dias da disputa, os principais postulantes ao Palácio do Planalto direcionaram 66% de seus compromissos públicos exclusivamente para a Região Sudeste. Ao todo, foram 63 eventos realizados no eixo econômico do país, de um montante global de 96 agendas mapeadas entre os dias 16 e 31 de agosto, segundo dados de levantamento realizado pelo Poder360.
A maciça preferência geográfica reflete a busca pragmática pelo eleitorado dos maiores colégios eleitorais nacionais, com destaque prioritário para São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A capital paulista figurou como a cidade mais visitada neste início de mobilização, e todos os concorrentes cumpriram roteiros por territórios paulistas e fluminenses. Em contrapartida, essa estratégia de alta densidade no Sudeste gerou um vácuo de representatividade direta em outras regiões, deixando 15 estados brasileiros sem a presença física de nenhum dos concorrentes no período analisado.
O contraste na distribuição territorial fica evidente ao observar as demais regiões do país durante a primeira quinzena da campanha. O Centro-Oeste registrou 11 eventos, impulsionado pela movimentação política e institucional, enquanto o Nordeste somou apenas seis compromissos e a Região Sul contabilizou quatro. A situação mais extrema ocorreu no Norte do país, que contou com somente um dia de agenda oficial, marcado pela passagem do presidente Lula (PT) pelo município de Oiapoque, no Amapá, sendo ele o único candidato a visitar a região setentrional.
Na divisão individual das agendas, o candidato Ronaldo Caiado (PSD) liderou a fixação no Sudeste, passando 13 dias na região — sendo 12 deles em São Paulo, onde estruturou o quartel-general de sua campanha. Romeu Zema (Novo) dedicou 12 dias aos estados do Sudeste, despontando também como o concorrente mais presente no Sul, com três dias distribuídos entre Rio Grande do Sul e Paraná. O senador Flávio Bolsonaro (PL) cumpriu 11 dias de compromissos no Sudeste, atuando fortemente em sua base eleitoral no Rio de Janeiro. Já Augusto Cury (Avante) também somou 11 dias no Sudeste, seguido por Renan Santos (Missão), com dez dias, enquanto Lula fracionou sua atuação entre a sede do governo em Brasília e viagens pontuais.
O que esta em jogo: A forte centralização das campanhas no Sudeste expõe a lógica do cálculo eleitoral focado na eficiência do tempo e no custo logístico, priorizando praças onde a densidade populacional garante maior retorno imediato em votos e repercussão na mídia tradicional. Contudo, essa dinâmica amplia o desafio de articulação nacional, já que demandas estruturais cruciais do agronegócio no Centro-Oeste, o potencial de desenvolvimento do Norte e a dinâmica produtiva do Sul exigem atenção direta dos futuros governantes para além dos limites dos grandes centros metropolitanos da região mais populosa.
Com informacoes de revistaoeste.com.