Wilson Grassi anuncia maratonas diárias em torno do TSE após ter propaganda digital, fundo eleitoral e presença em debates suspensos por Dias Toffoli.

Em um gesto inusitado de reação às constantes intervenções da Justiça Eleitoral no pleito, o candidato à Presidência da República Wilson Grassi (Democrata) anunciou que irá correr 42 quilômetros diariamente em torno da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. A iniciativa, equivalente à distância de uma maratona por dia, foi oficializada como um ato de protesto contra as restrições impostas à sua campanha pelo ministro Dias Toffoli.
A controvérsia teve início após o magistrado determinar uma série de sanções severas contra a estrutura de Grassi, proibindo a veiculação de propaganda eleitoral na internet, a utilização de recursos do fundo eleitoral e o comparecimento do postulante a debates transmitidos ao público. A justificativa técnica apresentada pelo tribunal foi a suposta intempestividade na entrega da lista oficial de redes sociais do candidato, protocolada em 28 de agosto — 17 dias após o registro formal da chapa.
De acordo com a regulamentação do TSE, perfis digitais preexistentes precisam ser informados no ato do registro, ao passo que novas contas demandam notificação em até 24 horas. O ministro apontou que o envio das oito contas da candidatura ocorreu fora da janela legal, afetando o controle algorítmico previsto pela legislação para conter recomendações de conteúdo a não seguidores. Diante da penalidade, Grassi criticou a desproporcionalidade da medida e declarou ao site Poder360 que manterá a mobilização diária: “Vou correr todos os dias para mostrar que não vamos desistir. Enquanto tentarem calar nossa voz, continuaremos lutando de maneira pacífica, democrática e dentro da lei”.
O mesmo despacho que penalizou Grassi também havia alcançado a candidatura de Renan Santos (Missão). No entanto, o ministro Dias Toffoli revogou as limitações impostas a Santos após a constatação de que a equipe e as plataformas digitais sanaram as pendências exigidas, restabelecendo a autorização para veiculação de propaganda na internet e participação nos debates públicos. Enquanto isso, Grassi sustenta que sua punição inviabiliza o direito basilar de expor propostas aos eleitores e configura censura prévia no ambiente digital.
O que esta em jogo: A disputa expõe o crescente grau de interferência regulatória do Judiciário sobre os meios de comunicação modernos e a liberdade de expressão política. Em uma era em que a internet e as redes sociais representam as principais vias de diálogo direto entre candidatos e cidadãos — sobretudo para legendas alternativas e vozes fora do establishment —, punições burocráticas rigorosas acabam por desidratar o debate democrático, restringindo o livre fluxo de ideias e limitando as escolhas dos eleitores nas urnas.
Com informacoes de revistaoeste.com.