Relatório da Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro citou queixas do ministro do STF sobre a organização de fórum jurídico no exterior.

Registros obtidos em relatório da Polícia Federal (PF) trouxeram à tona conversas em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro atribui ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fortes queixas a respeito da formatação do II Fórum Jurídico Londres Brasil, evento planejado para 2025. Os diálogos revelam bastidores da montagem do simpósio internacional e indicam a influência direta que teria sido exercida sobre a escolha de nomes e a distribuição de espaço aos convidados.
De acordo com o material interceptado pelos investigadores, uma das principais razões da insatisfação atribuída ao magistrado seria a visibilidade conferida ao governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em troca de mensagens datada de 21 de julho de 2025 com uma assessora, Vorcaro afirmou taxativamente: “Alexandre reclamou MUITO do evento. Muito”. Ao ser questionado sobre as razões do descontentamento, o ex-banqueiro apontou desorganização na grade e criticou o espaço de destaque reservado a Tarcísio, autoridade que sequer havia confirmado presença.
As investigações apontam ainda que as tomadas de decisão sobre a estrutura do simpósio eram tratadas por Vorcaro como tópicos submetidos ao crivo direto do ministro. Em outro momento das trocas de mensagens, o ex-banqueiro mencionou que os textos de convites endereçados a autoridades precisavam de aprovação prévia de Moraes, identificado nominalmente pela PF no documento. Uma assessora envolvida nos preparativos chegou a declarar que passou um dia inteiro com a esposa do ministro e com o próprio magistrado trabalhando no alinhamento da programação.
Outro ponto de atrito revelado nas mensagens foi a cogitação do nome de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, para atuar como moderador de um dos painéis. Vorcaro sinalizou desaprovação prévia, assegurando que a inclusão do dirigente partidário não contaria com o aval de Moraes. O evento internacional estava sendo estruturado conjuntamente pelo Banco Master, pelo Grupo Voto e pelo portal Consultor Jurídico, mas acabou formalmente cancelado em 2 de agosto daquele ano em virtude de denúncias ligadas ao Banco Master, instituição patrocinadora.
Diante da repercussão dos dados apurados pela corporação policial, a assessoria oficial do governador Tarcísio de Freitas informou que o chefe do Executivo paulista nunca teve presença confirmada no fórum e jamais manteve qualquer tipo de relação com Daniel Vorcaro. Já o diretor do Consultor Jurídico, Márcio Chaer, esclareceu ter atuado apenas na edição de 2024 do encontro, sem envolvimento na organização da edição cancelada de 2025.
O que esta em jogo: O episódio evidencia os bastidores da articulação de eventos internacionais patrocinados pelo setor privado que reúnem membros da cúpula do Judiciário e figuras do cenário político. As mensagens reveladas expõem a sensibilidade em torno de protagonismos institucionais e partidários em fóruns externos, em um contexto no qual a separação entre funções de Estado e relações corporativas permanece sob constante escrutínio da opinião pública e dos órgãos de controle.
Com informacoes de revistaoeste.com.