Uma onda de ataques de drones ucranianos atingiu São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, visando terminais de petróleo e portos, incluindo Vysotsk e Kronstadt, em uma ofensiva reivindicada por Zelensky.

A madrugada do último sábado foi marcada por um ataque de drones de grande escala, orquestrado pelas forças ucranianas, que teve como alvo a região de São Petersburgo, na Rússia. A ofensiva atingiu diretamente um terminal de petróleo na cidade e a área portuária de Vysotsk, localizada a cerca de 170 quilômetros da metrópole, no Mar Báltico. A ação representa uma escalada significativa na estratégia ucraniana de levar a guerra para o território russo, mirando infraestruturas críticas que sustentam a economia de guerra do Kremlin.
O governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, confirmou a amplitude do ataque, descrevendo-o como “em larga escala”, mas afirmou que não houve vítimas e os danos foram rapidamente controlados. No entanto, o governador da região de Leningrado, Alexander Drozdenko, apesar de não detalhar os impactos sobre o porto de Vysotsk – um ponto estratégico para exportação de petróleo, grãos, carvão e gás natural liquefeito –, informou que mais de 70 drones foram abatidos e que diversos povoados registraram danos.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez questão de reivindicar a autoria dos ataques, utilizando o Telegram para anunciar que as forças ucranianas atingiram infraestruturas portuárias de petróleo que geram receitas cruciais para a Rússia financiar a guerra. Zelensky também declarou que a ofensiva alcançou Kronstadt, uma importante base naval próxima a São Petersburgo, a mais de 850 quilômetros da fronteira ucraniana, demonstrando a crescente capacidade de longo alcance dos drones ucranianos.
Além da região de São Petersburgo, os ataques com drones se estenderam a outras partes da Rússia, resultando em uma pessoa morta na região de Bryansk e outra na Crimeia, território controlado por Moscou. Na região de Pskov, mais de 30 drones foram derrubados, causando danos leves e feridos, inclusive em uma fábrica na cidade de Velikiye Luki. Esses múltiplos pontos de ataque sugerem uma estratégia coordenada para sobrecarregar as defesas aéreas russas e causar interrupções em diversas frentes.
Esta nova onda de ataques ocorre em um momento de intensificação do conflito. A ofensiva ucraniana sucede o maior bombardeio realizado pela Rússia contra Kiev desde o início da invasão em fevereiro de 2022, que, em 2 de julho, deixou ao menos 20 mortos e atingiu edifícios residenciais. Adicionalmente, o incidente em São Petersburgo se repete um mês após outro ataque ucraniano, em 3 de junho, que também visou o terminal de petróleo da cidade e bases militares em Kronstadt. A recorrência desses ataques demonstra a persistência e a adaptação da Ucrânia em suas táticas de defesa e contra-ofensiva.
O que está em jogo: A escalada dos ataques ucranianos a alvos estratégicos dentro do território russo, especialmente instalações petrolíferas e portuárias, representa uma tentativa de minar a capacidade econômica da Rússia de sustentar o conflito e de desviar recursos para a defesa interna, intensificando a pressão sobre o Kremlin em meio à guerra.
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