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Articulação no TCU derruba trava e libera licitação de R$ 1 bilhão no Porto de Santos

Plenário do Tribunal de Contas da União reverte cautelar durante ausência do relator e retoma processo bilionário que envolve familiares de ministro.

Por Redação Ponto FixoPublicado 20/08/2026 às 18h02· 3 min de leitura
Articulação no TCU derruba trava e libera licitação de R$ 1 bilhão no Porto de Santos
Foto: Marcelo Camargo

Uma complexa movimentação regimental nos bastidores do Tribunal de Contas da União (TCU) resultou na revogação da medida cautelar que suspendia um processo licitatório de R$ 1,06 bilhão voltado ao Porto de Santos, em São Paulo. O julgamento ocorreu em um momento de ausência médica do relator original do processo, ministro Augusto Nardes, que havia determinado a paralisação do certame após identificar apontamentos de irregularidades no certame público.

De acordo com informações de bastidores obtidas pela Revista Oeste, o ministro Bruno Dantas, que se declarou formalmente impedido de julgar a matéria, atuou diretamente nas articulações para viabilizar a análise do caso. O processo licitatório em questão teve como vencedor o Consórcio Portolog, grupo empresarial que conta, em seu quadro societário por meio de uma das empresas componentes, com a presença da esposa e do sogro de Dantas.

A manobra processual foi deflagrada a partir do resgate de uma questão de ordem datada de 25 de fevereiro de 2025 pelo presidente em exercício na sessão, Vital do Rêgo. O mecanismo permitiu contornar a ausência de Nardes e submeter a matéria diretamente ao colegiado. Diante da recusa de um primeiro ministro substituto em assumir a leitura por desconhecimento dos autos, o interino Marcos Bemquerer Costa foi designado para formalizar a apresentação do caso ao plenário.

Na sequência, o ministro Walton Alencar Rodrigues assumiu a função de revisor do processo e apresentou um voto divergente da cautelar original. Para sustentar a tese de que a continuidade da licitação não apresentava riscos imediatos, Rodrigues baseou-se em manifestação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), órgão atualmente comandado por Frederico Dias, que atuou anteriormente como assessor de Bruno Dantas. Durante a sessão, o revisor fez críticas à cobertura jornalística e defendeu um desagravo a Dantas, sendo acompanhado pela maioria dos pares.

A cautelar anteriormente concedida por Augusto Nardes apoiava-se em pareceres da própria área técnica do TCU, alertando para o impacto de um contrato com duração de 20 anos que abrange uma área estratégica de aproximadamente 250 mil metros quadrados. Segundo o relatório preliminar de Nardes, a celebração do contrato sob suspeitas representaria um risco de difícil reversão, com potencial para prejudicar a expansão operacional e ferroviária do principal complexo portuário do país.

O que esta em jogo: A controvérsia sobre a gestão de infraestruturas estratégicas como o Porto de Santos evidencia o peso das decisões dos órgãos de controle sobre a segurança jurídica e a atração de investimentos privados no Brasil. A lisura e a transparência em concessões bilionárias são fundamentais para assegurar a livre concorrência, o respeito ao erário e a eficiência logística nacional, afastando conflitos de interesse que possam minar a credibilidade institucional do país perante o mercado.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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