Declaração de bens entregue pelo petista à Justiça Eleitoral aponta salto de quase 870% no patrimônio em comparação com a eleição de 2022.

A prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral pelo deputado federal e ex-ministro Paulo Pimenta (PT-RS) revelou uma expressiva expansão em seus bens declarados. Na disputa eleitoral de 2026, na qual concorre a uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul, o parlamentar informou possuir um patrimônio total de R$ 1.871.110,97. O montante representa um salto de quase 10 vezes em relação ao valor apresentado em 2022, quando o petista havia declarado pouco menos de R$ 193 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), configurando um avanço nominal de aproximadamente 870% no intervalo de quatro anos.
A composição dos bens registrados no sistema da Justiça Eleitoral passou por uma profunda reformulação estrutural. Em 2022, a lista de Pimenta continha apenas três itens: uma aplicação de renda fixa no valor de R$ 10.389,00, um apartamento em Porto Alegre orçado em R$ 97.450,00 e um espaço de estacionamento na capital gaúcha cotado a R$ 85.000,00. Já no registro atual, a declaração se expandiu para nove ativos, que incluem cotas imobiliárias, veículo automotor, carteira de ações, aplicações financeiras, quantias em espécie e créditos decorrentes de empréstimos concedidos.
O ativo de maior valor declarado pelo ex-ministro em 2026 corresponde a 50% de um imóvel residencial localizado em Brasília, avaliado em R$ 815.000,00 — cifra que, isoladamente, representa cerca de 44% de todo o patrimônio informado. A lista detalhada abrange ainda um veículo Toyota Hilux 2022 (R$ 292.000,00), ações no montante de R$ 178.752,43, aplicações financeiras de R$ 170.993,00, além de R$ 130.000,00 em dinheiro em espécie. Completam o rol R$ 123.000,00 em créditos de empréstimos, o apartamento em Porto Alegre registrado por R$ 97.450,06, saldo bancário de R$ 38.915,48 e um box de garagem de R$ 25.000,00.
Questionado oficialmente sobre a variação, o parlamentar negou a ocorrência de evolução patrimonial real por meio de nota de esclarecimento. Segundo Pimenta, o aumento aparente decorreu de uma alteração formal na declaração de Imposto de Renda referente ao imóvel de Brasília adquirido em 2013, que antes constava integralmente no registro de sua esposa e passou a ser dividido formalmente à razão de 50% para cada. O petista também afirmou que o montante em espécie decorre de economia de seus proventos parlamentares para custeio de curso no exterior e que os créditos envolvem transação familiar já quitada, assegurando a regularidade fiscal perante a Receita Federal.
A mudança nos registros ocorre após um período em que o parlamentar desempenhou papéis centrais na Esplanada dos Ministérios sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Pimenta chefiou a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência por dois anos, deixando a pasta em janeiro de 2025, além de ter comandado a estrutura extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, extinta em setembro de 2024. Após o período no Executivo, retomou o mandato na Câmara dos Deputados, assumindo a liderança do governo em abril antes de consolidar a pré-candidatura ao Senado.
O que esta em jogo: A transparência na prestação de contas de figuras públicas com trânsito direto nas decisões de Estado é um pilar basilar da higidez republicana. Em períodos eleitorais, a fiscalização da evolução de ativos de lideranças com longo histórico partidário e passagem pela gestão de verbas federais coloca em debate a conformidade patrimonial perante a sociedade civil e os órgãos de controle, servindo como termômetro de lisura e governança ética perante o eleitorado.
Com informacoes de revistaoeste.com.