Ação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo prendeu Emerson Rocha e cumpriu mandados contra vereadores de Cotia por suposto elo com organização criminosa.

Uma ofensiva conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo resultou na prisão preventiva de Emerson Rocha (Podemos), conhecido pelo apelido de “Neguinho”, candidato a deputado estadual. O político é apontado pelas autoridades como participante de uma engrenagem financeira destinada à lavagem de capitais oriundos do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação policial também revelou que o suspeito já acumulava antecedentes criminais por homicídio.
Batizada de Operação Cátaros, a ofensiva mobilizou um contingente expressivo das forças de segurança estaduais para combater a infiltração do crime organizado na vida pública. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva. Além de Emerson Rocha, a ordem de prisão também mirava sua esposa, que se encontra foragida no exterior, evidenciando as ramificações internacionais e as tentativas de fuga das lideranças investigadas.
As apurações das autoridades não se restringiram ao candidato a deputado. O esquema sob escrutínio policial atingiu diretamente o Poder Legislativo municipal da Grande São Paulo, tendo como alvos três parlamentares em exercício na Câmara Municipal de Cotia: Eduardo Nascimento (PSB), Sergio Luiz de Freitas (PSB) e Yago Bezerra Neres (União Brasil). Todos eles figuram como suspeitos de envolvimento nas operações financeiras irregulares sob apuração.
No registro oficial encaminhado à Justiça Eleitoral para a disputa das eleições, Emerson Rocha havia declarado não possuir bens materiais, muito embora se apresentasse profissionalmente como empresário e divulgasse o slogan eleitoral “Gestão com palavra constrói futuro”. O contraste entre as declarações oficiais e as movimentações financeiras atribuídas à rede criminosa foi um dos pontos centrais que chamaram a atenção dos investigadores e motivaram as diligências nas dependências da própria Câmara Municipal de Cotia.
Para executar as medidas judiciais, o aparato de segurança mobilizou 96 policiais militares do 5º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e 80 agentes da Polícia Civil. O raio de atuação da força-tarefa abrangeu mandados cumpridos nas cidades paulistas de Cotia, São Paulo, Jandira e São Lourenço da Serra, estendendo-se também ao litoral catarinense, no município de Balneário Camboriú.
O que esta em jogo: O avanço de organizações criminosas sobre as instituições democráticas e mandatos eletivos representa uma séria ameaça ao Estado de Direito e à segurança da sociedade. A infiltração do crime organizado na política e na máquina pública compromete a legitimidade das instituições, corrompe a integridade da representação popular e exige uma atuação rigorosa, técnica e intransigente das forças de segurança e da Justiça para preservar a soberania e a ordem pública.
Com informacoes de revistaoeste.com.