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ANPD mantém veto a transmissões ao vivo no Discord

Agência reguladora rejeitou recurso do Discord após morte de jovem de 13 anos. Bloqueio de lives segue até análise do Conselho Diretor.

Por Redação Ponto FixoPublicado 26/09/2026 às 18h02· 3 min de leitura
ANPD mantém veto a transmissões ao vivo no Discord
Foto: Reprodução

A Superintendência de Fiscalização da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) rejeitou o recurso apresentado pelo Discord e manteve a determinação de suspender as transmissões em tempo real da plataforma no território brasileiro. A autoridade fiscalizadora considerou que a liberação prematura dos recursos de streaming poderia expor usuários a novos prejuízos antes da conclusão definitiva do processo. A restrição original foi instaurada após a trágica morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrida durante uma transmissão no dia 22 de julho, em Mato Grosso do Sul.

A controvérsia central gira em torno da comprovação técnica exigida pelo órgão estatal. Conforme apontado pelos técnicos da ANPD, a empresa norte-americana forneceu apenas capturas de tela e avisos de indisponibilidade aos usuários, elementos considerados insuficientes para atestar as alterações efetuadas na infraestrutura da plataforma. Em sua avaliação, o órgão destacou que o Discord implementou criptografia de ponta a ponta a partir de 2 de março, mudança que, na visão dos reguladores, reduziu a capacidade de fiscalização e tornou o ambiente digital menos seguro para menores de idade ao restringir o monitoramento direto de áudios e vídeos.

Investigações apontam rede de abusos virtuais

O caso que desencadeou a intervenção da ANPD faz parte da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. As diligências policiais resultaram na prisão de um jovem de 18 anos e na apreensão de 11 adolescentes distribuídos por diferentes unidades da federação, incluindo Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. O inquérito revelou a existência de uma estrutura organizada que coagia jovens vulneráveis por meio de chantagens, impondo práticas como automutilação, violência psicológica e indução ao suicídio em servidores fechados.

No âmbito judicial, o Ministério Público sul-mato-grossense, por intermédio da 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí, ingressou com recurso junto ao Tribunal de Justiça para reverter a desinternação de cinco menores apreendidos na fase inicial, liberados após o término do prazo cautelar de 45 dias. A promotoria argumenta a gravidade das condutas constatadas, que envolviam divisão hierárquica e abusos diversos no ambiente virtual, enquanto o único investigado maior de idade permanece sob custódia.

Recurso segue para o Conselho Diretor

Diante do indeferimento da superintendência, a plataforma propôs a formulação de um plano de conformidade com metas graduais para o restabelecimento gradual dos serviços. Contudo, as ferramentas de vídeo permanecerão inativas até que o Conselho Diretor da ANPD, instância colegiada máxima do órgão, analise o mérito e emita um veredito definitivo. A flexibilização da medida segue condicionada à entrega de relatórios técnicos que comprovem salvaguardas eficazes contra a vulnerabilidade de menores.

Resta em aberto a definição de quais parâmetros arquiteturais exatos a autarquia julgará satisfatórios para validar as medidas de proteção do Discord sem desestruturar o modelo operacional da ferramenta. Do mesmo modo, o Tribunal de Justiça estadual ainda não emitiu decisão final a respeito do pedido de recaptura cautelar dos adolescentes requerida pelo Ministério Público.

O que está em jogo: a análise do Conselho Diretor da ANPD sobre as travas no Discord definirá os limites técnicos de moderação para empresas que utilizam criptografia em solo nacional, enquanto as famílias de menores monitoram se o Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul restabelecerá a apreensão dos 5 adolescentes envolvidos na Operação Lívia.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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