Luiz Fux cobra explicações da presidência do Senado sobre registros de entrada de Viviane Barci e Daniel Vorcaro desde 2019.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de dez dias para que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), preste informações detalhadas sobre a movimentação de pessoas influentes nas dependências da Casa Legislativa. O despacho ocorre no âmbito de um mandado de segurança protocolado pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), que busca a liberação de registros oficiais de entrada e saída envolvendo advogados, familiares de autoridades e empresários.
A controvérsia tem como ponto central o acesso de figuras de grande visibilidade política e jurídica ao Congresso Nacional. O pedido compreende o histórico de registros desde 1º de fevereiro de 2019 e atinge oito pessoas no total. Entre os nomes citados na ação estão a advogada Viviane Barci, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do antigo Banco Master, além de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e José Ferreira da Silva (Frei Chico), respectivamente filho e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Transparência e limites da intimidade
Na fundamentação preliminar de seu despacho, Fux destacou que a solicitação de dados públicos sobre a circulação nas dependências do Parlamento não configura, a princípio, abuso de privacidade. O magistrado pontuou que, nesta fase inicial de análise, não se vislumbra violação da intimidade ou de informações pessoais que justifique a retenção sumária dos dados, permitindo assim o andamento da requisição de esclarecimentos ao comando do Senado.
Apesar da manifestação preliminar favorável ao escopo da requisição, a decisão judicial ainda não representa uma ordem imediata de abertura e divulgação irrestrita dos dados ao público. Trata-se de uma fase de instrução processual para que a cúpula do Legislativo apresente os fundamentos administrativos ou legais que embasaram o tratamento conferido a esses dados até o momento.
Próximos passos e rito processual
Conforme determinado pelo relator no STF, a Advocacia do Senado Federal também será formalmente notificada sobre os termos da ação, recebendo cópia da petição inicial para formular sua manifestação. Findo o prazo concedido à presidência da Casa e colhidas as respostas institucionais, o processo será remetido à Procuradoria-Geral da República, que disporá de dez dias improrrogáveis para emitir seu parecer jurídico antes do julgamento final do mérito.
Até o momento, permanecem sob reserva os motivos institucionais que possam ter restringido esses registros previamente, bem como o teor exato das visitas realizadas ao longo do período solicitado de mais de cinco anos. O desfecho da ação deverá estabelecer balizas sobre o equilíbrio entre a necessária publicidade dos atos praticados em prédios públicos e eventuais alegações de sigilo funcional ou pessoal de terceiros.
O que está em jogo: A decisão do Supremo Tribunal Federal estabelece um precedente direto sobre a transparência do trânsito de advogados e familiares do poder em Brasília. Na prática, a resposta de Davi Alcolumbre em dez dias definirá se a administração do Senado abrirá registros mantidos sob sigilo desde 2019 ou se travará uma disputa judicial com base na privacidade, cabendo ao Ministério Público dar o parecer final sobre a exposição pública dos acessos de Viviane Barci e Daniel Vorcaro.
Com informacoes de revistaoeste.com.