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Lula ignora Marco Rubio nos corredores da ONU após discurso

Em Nova York, Lula evitou cumprimentar Marco Rubio após atacar tarifas dos EUA na ONU. O encontro expõe o desgaste diplomático entre os dois países.

Por Redação Ponto FixoPublicado 22/09/2026 às 20h03· 3 min de leitura
Lula ignora Marco Rubio nos corredores da ONU após discurso
Foto: Reprodução

O ambiente diplomático na Assembleia-Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York nesta terça-feira, 22, foi palco de um evidente distanciamento entre as lideranças de Brasil e Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ficaram a poucos metros de distância nos corredores do evento, mas não trocaram cumprimentos. O episódio ocorreu logo após o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, momento em que Rubio tentou se aproximar da comitiva brasileira, mas Lula seguiu caminhando, limitando a interação do secretário norte-americano a uma breve conversa com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.

O desencontro reflete um acúmulo de atritos prévios entre o petista e o chefe da diplomacia norte-americana. Em agosto passado, Lula atacou publicamente Rubio ao classificá-lo como “bolsonarista” e “anti-latino-americano”. Em contrapartida, Rubio havia criticado no ano anterior a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontando a medida judicial como um equívoco do Judiciário brasileiro — manifestação que provocou imediata reação do Palácio do Itamaraty sob a justificativa de preservação da soberania nacional.

Tensões tarifárias e retórica em Nova York

Durante seu discurso na tribuna da ONU, Lula centrou fogo nas medidas econômicas protecionistas da Casa Branca, atacando as tarifas alfandegárias aplicadas contra as exportações brasileiras. Sem citar Trump diretamente pelo nome, o presidente brasileiro afirmou que o país “não cabe no quintal de ninguém” e condenou tentativas de interferência externa. O tom incisivo foi adotado a apenas 12 dias do primeiro turno das eleições no Brasil, servindo tanto ao palanque doméstico quanto à demarcação ideológica externa.

Essa postura reforça as divergências de alinhamento geopolítico entre Washington e Brasília. Enquanto o governo norte-americano sustenta uma linha dura contra regimes autoritários na América Latina, Lula mantém um longo histórico de proximidade com ditaduras como as de Hugo Chávez e Nicolás Maduro na Venezuela, de Fidel Castro em Cuba e de Daniel Ortega na Nicarágua, administrações abertamente condenadas pelo Departamento de Estado dos EUA.

Relações bilaterais e indefinições comerciais

O estremecimento no topo do poder afeta diretamente o setor produtivo nacional, com exportadores brasileiros expostos a barreiras alfandegárias enquanto a diplomacia de alto nível permanece travada por rusgas pessoais e ideológicas. Por outro lado, a ala governista tenta capitalizar o discurso de enfrentamento como demonstração de autonomia diante da maior potência econômica global.

Ainda não se sabe, contudo, se a diplomacia técnica entre o chanceler Mauro Vieira e Marco Rubio conseguirá destravar negociações bilaterais sobre as tarifas aplicadas aos produtos do Brasil, nem qual será a resposta concreta da Casa Branca aos recados disparados na tribuna internacional.

O que está em jogo: A capacidade do Itamaraty e de Mauro Vieira de negociar a retirada do tarifaço americano sobre produtos brasileiros mesmo após os atritos diretos entre Lula e Marco Rubio a menos de duas semanas da eleição no Brasil.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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