Disputa pelas duas cadeiras do Acre no Senado reúne oito postulantes em votação única, incluindo ex-governadores e parlamentares em exercício.

A corrida eleitoral pelas duas vagas do Acre no Senado Federal em 2026 conta com oito candidatos registrados perante a Justiça Eleitoral. O pleito se destaca pela dinâmica do sistema majoritário deste ciclo: cada eleitor terá a prerrogativa de assinalar dois votos para o Senado na urna eletrônica. Sem previsão constitucional de segundo turno para a Casa Alta, a definição ocorre integralmente no primeiro domingo de outubro, quando os dois nomes mais votados garantirão representação por um mandato de oito anos na capital federal.
O cenário reúne figuras históricas do cenário político acreano, parlamentares com mandato em curso e novos postulantes. Entre os concorrentes estão três nomes que já ocupam ou ocuparam assento no plenário da Casa: o agropecuarista Márcio Bittar (PL), senador eleito em 2018 que busca a renovação do mandato; Sérgio de Oliveira Cunha, o Petecão (PSD), que exerce mandato no Senado desde 2011 e tenta novo ciclo parlamentar; e o médico Eduardo Velloso (Solidariedade), deputado federal titular desde 2023 que também atuou temporariamente como senador em 2022.
Nomes tradicionais e situação jurídica
A disputa também marca o retorno de ex-governantes estaduais à corrida pelas cadeiras de Brasília. O engenheiro florestal Jorge Viana (PT), que chefiou a Prefeitura de Rio Branco, o governo acriano e ocupou mandato no Senado — além de ter presidido a ApexBrasil entre 2023 e 2026 —, figura como o principal representante da esquerda tradicional no estado. Pela centro-direita, o engenheiro e empresário Gladson Cameli (PP), ex-deputado federal, ex-senador e governador de 2019 a 2026, teve seu registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), mantendo a postulação sob prazo recursal.
Completam o quadro a jornalista e empresária Mara Rocha (Republicanos), que exerceu o mandato de deputada federal entre 2019 e 2023, o advogado Dr. Junior Feitosa (DC) e o professor Inácio Moreira (Psol). A presença de oito nomes disputando apenas duas vagas estabelece uma densidade de concorrência quatro vezes superior ao número de assentos disponíveis, impondo aos grupos conservadores e progressistas a necessidade de consolidar bases eleitorais para evitar a dispersão do voto duplo.
Desfechos e lacunas da disputa
O resultado da eleição terá impacto direto sobre a correlação de forças do Acre em Brasília, favorecendo alianças regionais que consigam coordenar chapas casadas e penalizando legendas que sofrerem fragmentação de eleitorado. Contudo, o desfecho do quadro eleitoral ainda depende de definições judiciais pendentes: resta saber se Gladson Cameli conseguirá reverter a decisão do TRE-AC nas instâncias recursais para ter seus votos contabilizados como válidos no cômputo final da apuração.
O que está em jogo: a composição de dois terços da bancada do Acre no Senado Federal pelos próximos oito anos, influenciando diretamente o equilíbrio de forças na Casa Alta entre blocos de oposição e situação, enquanto se aguarda o julgamento do recurso eleitoral de Gladson Cameli pelo TRE-AC e pelas instâncias superiores antes do pleito de 4 de outubro.
Com informacoes de revistaoeste.com.