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PF ligou Messias e caso Lulinha a veto no STF

Documento revelado por André Mendonça expõe que PF avaliou risco político de Jorge Messias após decisão em investigação sobre Lulinha.

Por Redação Ponto FixoPublicado 22/09/2026 às 13h02· 3 min de leitura
PF ligou Messias e caso Lulinha a veto no STF
Foto: Fellipe Sampaio/STF

Um documento de inteligência da Polícia Federal trouxe à tona uma intrincada teia de disputas nos bastidores do Judiciário e do Executivo ao correlacionar a atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias, no caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a uma eventual indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF). A revelação foi feita pelo ministro André Mendonça, que compilou um relatório com mais de 70 páginas encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin. O objetivo central de Mendonça é contestar materiais utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes para questionar sua condução nos inquéritos derivados das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

O ponto central do atrito reside na recusa da Advocacia-Geral da União (AGU) em atender a uma solicitação do diretor-geral da Polícia Federal para contestar judicialmente uma determinação de Mendonça. O relatório policial esmiuçou esse episódio ao criar seções específicas sobre o acionamento da instituição e cogitar as motivações que levaram Messias a não recorrer. Em tom de forte repúdio, Mendonça classificou como “abjeta e leviana” a ilação feita pela PF de que uma suposta “matriz religiosa comum” e a busca por apoio evangélico teriam aproximado o advogado-geral e o magistrado na condução do processo.

Interferência política em prerrogativa presidencial

A gravidade institucional do documento atinge seu ápice no trecho intitulado “Percepção de risco quanto à indicação ao Supremo Tribunal Federal”. Nele, os analistas da PF sustentam que a opção de Messias em preservar sua interlocução com o relator — em vez de blindar o Palácio do Planalto contra desgastes — aumentaria expressivamente os riscos políticos de uma indicação ao Supremo. Mendonça rebateu veementemente a análise, apontando que a corporação extrapolou suas funções ao exercer um juízo de valor sobre uma prerrogativa exclusiva e discricionária do presidente da República para a escolha de ministros da mais alta Corte do país.

O contexto que gerou o relatório envolve diretamente Lulinha na Operação Sem Desconto. Mendonça registrou formalmente que o empresário foi alvo de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático autorizadas nas Petições 15.068 e 15.071. Na prática, o embate evidencia dois polos claros: de um lado, setores da cúpula policial e Moraes questionando a condução de investigações sensíveis; de outro, Mendonça e a AGU denunciando monitoramentos abusivos e tentativas de cerceamento funcional e institucional sob pretextos frágeis.

Fragilidade metodológica nas análises policiais

Além das acusações de desvio de finalidade, Mendonça expôs a baixa consistência técnica do próprio relatório da PF, que se apoia em projeções futuras e suposições comportamentais. Em uma escala de rigor analítico, o documento policial reconhece que cadeias longas de deduções perdem precisão: das sete proposições formuladas pelos analistas para estruturar o raciocínio contra a AGU, quase metade — exatamente três delas — foi classificada internamente pela própria polícia como de “baixa confiança”, o que corrói a solidez das conclusões apresentadas contra Messias e o ministro.

Apesar da gravidade das acusações, permanecem lacunas fundamentais sem resposta oficial, como a identidade dos servidores responsáveis por redigir tais ilações e a existência de ordens superiores para monitorar a AGU e ministros. O próximo passo do conflito depende da análise do presidente Edson Fachin sobre a representação de Mendonça e dos eventuais pedidos de investigação sobre a conduta dos agentes envolvidos na produção dos relatórios contestados.

O que está em jogo: a apuração sobre a legalidade dos relatórios da PF entregues a Edson Fachin e os desdobramentos diretos sobre a blindagem jurídica de Lulinha nas Petições 15.068 e 15.071 no STF.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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