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Morre Zuenir Ventura, aos 95 anos, imortal da ABL

Jornalista e escritor Zuenir Ventura morre aos 95 anos no Rio de Janeiro. Membro da ABL deixa legado marcante na imprensa e na literatura.

Por Redação Ponto FixoPublicado 22/09/2026 às 12h02· 3 min de leitura
Morre Zuenir Ventura, aos 95 anos, imortal da ABL
Foto: Associação Brasileira de Jornalismo Investiga / Wikimedia

O jornalismo e a literatura brasileira perderam uma de suas figuras mais longevas nesta terça-feira, 22. O jornalista e escritor Zuenir Ventura, membro titular da Academia Brasileira de Letras (ABL), faleceu em sua residência no Rio de Janeiro aos 95 anos, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia. A informação foi confirmada oficialmente pela ABL, que organizou o velório para esta quarta-feira, 23, em sua sede histórica, seguido pelo sepultamento no tradicional mausoléu dos imortais. Zuenir deixa a esposa, a jornalista Mary Akiersztein, com quem compartilhou a vida familiar e profissional, além dos filhos Elisa e Mauro e dos netos Alice e Eric.

Trajetória e grandes coberturas na imprensa

Nascido em 1º de junho de 1931 no município mineiro de Além Paraíba, Zuenir formou-se em letras neolatinas pela atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo inclusive atuado na área docente antes de consolidar sua vocação na imprensa. Seus primeiros passos na profissão ocorreram na redação da Tribuna da Imprensa, construindo ao longo de mais de seis décadas uma folha corrida pelos maiores veículos do país, como Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e O Globo, onde assinou coluna por muitos anos. Ao longo desse percurso, destacou-se por retratar grandes episódios nacionais com minúcia documental.

Um dos momentos definidores de sua carreira como repórter foi a cobertura aprofundada dos desdobramentos do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, trabalho que resultou na série especial “O Acre de Chico Mendes”, publicada nas páginas do Jornal do Brasil. A apuração rigorosa e o impacto daquela reportagem renderam ao autor as duas maiores honrarias do meio profissional da época: o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog, ambos concedidos em 1989. O mineiro conseguia equilibrar a observação atenta do cotidiano com uma sólida formação humanística e literária.

Das reportagens aos livros clássicos

Essa capacidade narrativa transbordou para o mercado editorial por meio de livros-reportagem indispensáveis na historiografia contemporânea. Em 1988, publicou “1968 — O Ano que Não Terminou”, obra seminal que se tornou referência ao reconstituir o endurecimento do regime militar e as tensões políticas daquele período. Mais tarde, após vivenciar a realidade da comunidade de Vigário Geral, escreveu “Cidade Partida”, trazendo uma reflexão contundente sobre a fratura social e a violência urbana que assolavam a capital fluminense. Em 2005, lançou “Minhas Histórias dos Outros”, resgatando memórias sobre nomes como Carlos Drummond de Andrade, Glauber Rocha e Betinho, seguido pelo romance “Sagrada Família”, publicado em 2012.

A consagração acadêmica de Zuenir Ventura ocorreu em 2015, quando foi eleito para ocupar a cadeira que pertencera anteriormente ao escritor paraibano Ariano Suassuna na ABL. Com a morte do autor de quase um século de idade, a entidade literária ganha o desafio de abrir o processo de sucessão de sua vaga, enquanto os meios de comunicação perdem uma das últimas testemunhas oculares do auge da imprensa impressa no século XX. Ainda não há detalhes tornados públicos sobre eventuais manuscritos ou obras inéditas deixadas em seu acervo pessoal.

O que está em jogo: A Academia Brasileira de Letras agora precisará declarar a vacância oficial da cadeira que pertenceu a Zuenir Ventura para que novos candidatos registrem suas candidaturas e disputem a eleição interna. Além das homenagens no velório na sede da ABL e no sepultamento no mausoléu dos imortais, resta acompanhar a gestão de seu espólio literário pela família, encabeçada por Mary Akiersztein e pelos filhos Mauro e Elisa, especialmente quanto à preservação e reedição de obras como “1968 — O Ano que Não Terminou” e “Cidade Partida”.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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