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Caso Master: planilha cita repasse a ex-cunhado de Gilmar Mendes

Documento obtido pela PF aponta pagamento de R$ 1 milhão a Chiquinho Feitosa, que intermediou contatos entre banqueiro e ministro do STF.

Por Redação Ponto FixoPublicado 21/09/2026 às 23h02· 4 min de leitura
Caso Master: planilha cita repasse a ex-cunhado de Gilmar Mendes
Foto: Reprodução

Investigações da Polícia Federal no âmbito do caso Master revelaram a existência de uma planilha de pagamentos pendentes encontrada no telefone celular do empresário e pastor Fabiano Zettel. Apontado pelos investigadores como o operador financeiro de seu cunhado, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Zettel registrou no documento um repasse previsto de R$ 1 milhão para Chiquinho Feitosa, empresário, ex-parlamentar e presidente do Republicanos no Ceará. À época do registro, encaminhado a Vorcaro em 10 de janeiro de 2025 com a rubrica “FA (Chiquinho)” referente aos meses de dezembro e janeiro, Feitosa ainda era cunhado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, cujo divórcio com Guiomar Feitosa ocorreu posteriormente, em novembro de 2025.

Intermediação e reuniões em Brasília

As apurações mostram que a relação entre Chiquinho Feitosa e Daniel Vorcaro envolvia conselhos estratégicos sobre articulação institucional em Brasília. Em 19 de abril de 2024, Feitosa aconselhou explicitamente o ex-banqueiro a construir um canal de diálogo com o magistrado da Suprema Corte, afirmando que ele precisava iniciar uma aproximação por se tratar de alguém “importante para o futuro”. Dias antes dessa troca de mensagens, em 11 de abril de 2024, Gilmar Mendes recebeu Vorcaro formalmente em seu gabinete no STF para tratar de uma ação da Destilaria Alcídia, processo cuja disputa de indenização envolvia valores estimados entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões — quantia que servia de baliza para teses que interessavam aos negócios do Banco Master.

Apesar da tentativa de interlocução e do peso financeiro da demanda, o julgamento no Supremo não seguiu o pleito pretendido nos bastidores pelo banqueiro. O processo sobre a destilaria teve idas e vindas regimentais, incluindo um pedido de destaque feito pelo próprio Gilmar Mendes em março de 2024, retirado em agosto, e uma vista de Kassio Nunes Marques em setembro. No desfecho em outubro de 2024, a destilaria venceu a União por 3 votos a 2, mas Gilmar e o ministro André Mendonça votaram contra a empresa e a favor dos cofres públicos. Segundo o gabinete do decano, a reunião de abril ocorreu em caráter estritamente institucional e sem a presença de Feitosa.

Valores cruzados e dados pendentes

A contabilidade informal apreendida com Fabiano Zettel não se restringia ao repasse ligado a Feitosa, revelando cifras expressivas em outras frentes operacionais. O arquivo listava ainda R$ 1,7 milhão para a quitação de impostos atrasados e R$ 1,5 milhão associados ao nome de “Bellini” — apontado pela PF como Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Do ponto de vista societário, Feitosa administra as firmas F&A Empreendimentos Imobiliários e F&A Consultoria, além de atuar no segmento de transportes. Ao se manifestar sobre os dados, o empresário admitiu ter mantido contrato de curto período com a Super Empreendimentos, ligada ao ecossistema do Master, mas não detalhou valores ou objeto formal do serviço, enquanto apurações jornalísticas indicam cifras mensais de R$ 500 mil.

O episódio evidencia um embate que coloca de um lado as defesas dos investigados, que alegam regularidade em relações de consultoria e despachos institucionais, e de outro a Polícia Federal e os órgãos de controle, que buscam mapear se recursos milionários foram direcionados para influenciar agentes públicos e reguladores. O caso agora depende do aprofundamento das perícias nas mensagens telemáticas e da quebra de sigilos para esclarecer as lacunas centrais que permanecem abertas: a efetiva comprovação da entrega dos valores, a real natureza da contraprestação dos serviços contratados pela Super Empreendimentos e a extensão das relações entre a cúpula do Master e órgãos estatais.

O que está em jogo: O avanço do inquérito da Polícia Federal sobre o material apreendido com Fabiano Zettel definirá se Daniel Vorcaro e Chiquinho Feitosa responderão formalmente perante a Justiça por crimes contra o sistema financeiro ou advocacia administrativa. Nos próximos meses, caberá aos investigadores cruzar os lançamentos de R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão da planilha com movimentações bancárias reais para apurar se os contratos de consultoria mascaravam tráfico de influência em órgãos como o Banco Central e tribunais superiores.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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