Comitiva de Lula à Assembleia-Geral da ONU mobiliza dezenas de servidores federais e quatro ministros, com custos ainda sob sigilo.

A estrutura mobilizada pelo governo federal para a curta passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Nova York expõe mais uma vez a pesada engrenagem estatal mantida às custas dos pagadores de impostos. Segundo levantamento em atos do Diário Oficial da União publicados até sexta-feira (18), ao menos 73 integrantes do Poder Executivo receberam autorização formal para viajar aos Estados Unidos por ocasião da 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O grupo reúne ministros de Estado, assessores especiais e servidores de diversas pastas, embora o mandatário tenha permanência prevista na cidade por apenas dois dias.
Composição do grupo e agendas bilaterais
A comitiva oficial confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores conta com quatro ministros: Mauro Vieira (Relações Exteriores), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luiz Eloy Terena (Povos Indígenas) e Rachel Barros (Igualdade Racial), além da primeira-dama Janja da Silva. Outros membros do primeiro escalão, a exemplo de Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social), cumprem compromissos paralelos vinculados à Semana do Clima. Diferente de 2025, quando seis ministros e dois governadores viajaram, o grupo atual não inclui chefes de executivos estaduais nem os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Em solo americano desde domingo (20), Lula programou reuniões políticas antes de seu pronunciamento formal. Entre os compromissos agendados estiveram diálogos com o senador Bernie Sanders, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e o prefeito nova-iorquino Zohran Mamdani, que se declara comunista e muçulmano. Na terça-feira (22), o presidente brasileiro encontra o secretário-geral da ONU, António Guterres, abrindo a série de discursos de chefes de Estado, tradição diplomática que antecede a fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Gastos públicos e indefinições orçamentárias
Embora a presença diplomática seja rotineira, a magnitude do contingente levanta questionamentos diretos sobre a eficiência e o controle de gastos na administração pública. O contribuinte brasileiro, que arca com a manutenção de uma máquina pública inflada, perde com a ausência de moderação fiscal, enquanto a burocracia governamental se beneficia de deslocamentos com diárias e passagens internacionais custeadas pelo erário. A conta final da viagem ainda não está consolidada, pois despachos do Gabinete Pessoal e da Assessoria Especial omitiram a quantidade exata de servidores, indicando que a delegação real pode superar amplamente os 73 nomes listados.
Após o embarque de Lula de volta ao Brasil, previsto para terça-feira (22), parte do corpo diplomático continuará nos Estados Unidos para compromissos multilaterais. O chanceler Mauro Vieira permanecerá em reuniões da Aliança Global contra a Fome e presidirá a cúpula da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul até quinta-feira (24). Contudo, o montante total desembolsado pelos cofres públicos só poderá ser auditado e conhecido com precisão após a alimentação dos registros detalhados no Portal da Transparência nas semanas seguintes.
O que está em jogo: A prestação de contas real sobre os recursos públicos utilizados pelo Poder Executivo para bancar a viagem de ao menos 73 membros a Nova York dependerá da atualização dos dados no Portal da Transparência. Caberá à sociedade e aos órgãos de fiscalização orçamentária monitorar o custo final das diárias e passagens da comitiva liderada por Lula e pelos quatro ministros após o encerramento das agendas de Mauro Vieira na 81ª Assembleia-Geral da ONU.
Com informacoes de revistaoeste.com.