Formação de ciclone extratropical no Uruguai traz temporais severos, ventos de até 80 km/h e queda brusca de temperatura no Centro-Sul.

A formação de um ciclone extratropical na altura do Uruguai colocou as defesas civis e a população da Região Sul em alerta máximo nesta segunda-feira, 21. O sistema, que avança acoplado a uma frente fria expressiva, deve provocar temporais severos, descargas elétricas intensas, quedas de granizo e rajadas de vento violentas. Há também o risco de fenômenos meteorológicos extremos e localizados, como microexplosões e tornados, que costumam provocar danos severos à infraestrutura urbana e às lavouras.
As instabilidades começaram a atuar ainda durante a madrugada no Rio Grande do Sul e em grande parte de Santa Catarina, estendendo as primeiras pancadas para as regiões oeste e sudoeste do Paraná. O cenário tende a se agravar devido ao volume já acumulado desde o último fim de semana. Até terça-feira, 22, a precipitação acumulada pode superar expressivos 200 milímetros em solo gaúcho e ultrapassar os 100 milímetros nos estados catarinense e paranaense — volumes que elevam substancialmente o risco de alagamentos, quedas de árvores e deslizamentos de encostas.
Avanço da instabilidade e impactos no campo
As perdas potenciais recaem diretamente sobre o produtor rural e os serviços essenciais de distribuição elétrica. O meio-oeste de Santa Catarina e o interior do Paraná concentram alto risco de tempestades organizadas ao longo da manhã e da tarde desta segunda-feira. A força dos ventos e o granizo representam uma ameaça direta à produção agrícola, além de gerarem interrupções no fornecimento de energia elétrica em diversas cidades que dependem de redes de distribuição aérea vulneráveis a intempéries climáticas.
Atrás da linha de instabilidade, uma robusta massa de ar frio ingressa no território brasileiro e deve derrubar as temperaturas de forma acentuada. No extremo sul do Rio Grande do Sul, os termômetros devem registrar marcas inferiores a 10°C já na terça-feira, com projeção de mínimas próximas a 4°C e formação de geadas nos dias subsequentes. A transição climática coincide com o início astronômico da primavera, marcado oficialmente para as 21h05 de terça-feira, 22, mantendo o padrão térmico atipicamente frio no início da nova estação.
Frente fria atinge Sudeste e Centro-Oeste
Os reflexos do sistema extratropical não se limitarão aos estados sulistas. A frente fria avança em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste, criando um canal de umidade que desestabiliza o tempo em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. No estado paulista, rajadas de vento generalizadas devem superar 50 km/h, podendo alcançar cerca de 80 km/h no leste do Estado, além de deixar o mar agitado no litoral. Em território mineiro e fluminense, as rajadas também oscilam entre 50 e 70 km/h com previsão de pancadas isoladas.
Apesar da precisão dos modelos numéricos do portal Meteored sobre a trajetória do ciclone, ainda não se sabe a extensão exata dos prejuízos materiais e eventuais perdas de safra decorrentes das quedas de granizo no interior da Região Sul. O monitoramento contínuo das bacias hidrográficas gaúchas e catarinenses será determinante para avaliar a capacidade de escoamento diante de volumes superiores a 200 milímetros em menos de 48 horas.
O que está em jogo: A segurança de produtores rurais e moradores de áreas de encosta no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná diante de tempestades severas. É essencial monitorar os alertas emitidos pela Defesa Civil e o avanço da massa de ar polar que pode derrubar os termômetros para 4°C no território gaúcho a partir de terça-feira, 22.
Com informacoes de revistaoeste.com.