Bloqueio europeu atinge carnes, ovos e mel por exigências regulatórias, enquanto o setor produtivo nacional cobra medidas de reciprocidade do governo.

A imposição de novas barreiras regulatórias por parte da União Europeia voltou a atingir diretamente o setor produtivo brasileiro. Entrou em vigor a suspensão das importações de produtos de origem animal procedentes do Brasil voltados ao consumo humano, afetando remessas de carne bovina, carne de frango, ovos, mel e tripas. A decisão do bloco europeu decorre da alegação de ausência de garantias plenas sobre o não uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e de determinados medicamentos de uso humano no manejo dos rebanhos nacionais.
O aspecto central da medida evidencia que o veto não se deu pela constatação de contaminação ou irregularidades em lotes exportados pelos produtores brasileiros. A questão central repousa exclusivamente em entraves burocráticos e na validação dos métodos de auditoria e certificação exigidos pelos europeus, que cobram monitoramento estrito dos bovinos ao longo de todo o seu ciclo de vida. Mesmo com as tentativas de negociação e a formulação de protocolos sanitários pelo governo brasileiro, a diplomacia e os órgãos técnicos não conseguiram reverter o bloqueio anunciado previamente.
O impacto financeiro e comercial para a pecuária nacional é expressivo, dado o alto valor agregado das compras feitas pelo mercado europeu. Apenas em 2025, os segmentos atingidos pela medida enviaram US$ 2,026 bilhões em produtos para a União Europeia, sendo US$ 1,064 bilhão em carne bovina e US$ 781,4 milhões em carne de aves. Embora o continente represente 3,7% do volume de carne bovina exportada pelo Brasil, responde por 5,8% da receita bruta do setor, já que os importadores europeus pagam cerca de US$ 10 por quilo, valor significativamente superior à média de US$ 6,50 praticada pela China.
Diante do prejuízo iminente aos produtores rurais que investem pesado em sanidade e produtividade no campo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou preocupação com os desdobramentos da suspensão. A entidade defende a aplicação de medidas de reciprocidade comercial, como compensações financeiras ou a suspensão proporcional de concessões tarifárias concedidas aos produtos que a União Europeia exporta ao mercado brasileiro. Além disso, o setor solicitou a realização de uma audiência pública no Senado com a participação do Itamaraty, do Ministério da Agricultura e do Ministério da Indústria para debater a defesa dos interesses nacionais.
O que esta em jogo: A ofensiva regulatória europeia demonstra como exigências não tarifárias e barreiras burocráticas continuam a ser instrumentalizadas contra o agronegócio brasileiro, um dos mais eficientes e competitivos do planeta. O episódio reforça a necessidade de firmeza na defesa da soberania comercial do país, evitando que o livre comércio seja solapado por protecionismos disfarçados que penalizam quem trabalha e gera riqueza no campo.
Com informacoes de revistaoeste.com.