Em evento no Planalto, presidente pressionou cúpula do Judiciário e da PGR em meio a conflitos internos e anúncio de encerramento do Inquérito das Fake News.

Durante solenidade no Palácio do Planalto realizada nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou abertamente medidas do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter a crise interna na Suprema Corte. Segundo o chefe do Executivo, a responsabilidade de restaurar a estabilidade institucional e a pacificação do país recai diretamente sobre os líderes dessas duas instituições.
Em tom de cobrança direta, o presidente declarou que a sociedade brasileira mantém grande expectativa sobre a atuação do STF e da PGR diante dos episódios de turbulência interna. Ao comentar os atritos no tribunal, Lula recorreu a uma metáfora familiar para ilustrar a hierarquia e o dever de controle institucional: “Eu disse para o Fachin: a Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão sob muita expectativa da sociedade brasileira. Porque quando os filhos da casa estão em desordem, quem manda na casa que resolve”.
O petista discursou logo após a manifestação pública de Fachin e aproveitou a ocasião para criticar a conduta de autoridades que utilizam suas funções públicas em benefício próprio ou que promovem vazamentos seletivos de investigações. Lula defendeu a necessidade de transparência total e sem ocultação de fatos à população, além de anunciar a intenção de articular uma reforma profunda no Poder Judiciário no próximo ano, caso vença as eleições presidenciais, sob a justificativa de reverter o desgaste e reestabelecer a confiança pública na Justiça.
A cobrança de Lula ocorreu em um momento de rearranjos na cúpula do tribunal. No mesmo dia do evento, Edson Fachin assumiu uma postura de conciliação institucional ao prometer a elaboração de um código de ética para os magistrados e sinalizar o encerramento do Inquérito das Fake News. O presidente do STF também garantiu que as acusações formuladas por Alexandre de Moraes contra André Mendonça serão apuradas com rigor técnico e dentro dos limites da legalidade, tendo inclusive retirado das mãos de Moraes a condução do pedido de apuração contra o colega de Corte.
O que esta em jogo: A disputa expõe o desgaste acumulado pelo ativismo e pelas divisões internas no STF, em um cenário onde o equilíbrio entre os Poderes e as garantias constitucionais são amplamente demandados pela sociedade. A promessa de extinção do controverso Inquérito das Fake News e a proposta de um código de ética representam tentativas de conter os danos à credibilidade do Judiciário, ao mesmo tempo em que a ameaça de uma reforma judicial impulsionada pelo Executivo sinaliza novas tensões institucionais no horizonte político do país.
Com informacoes de revistaoeste.com.