Em agenda no Palácio do Planalto, presidente e primeira-dama se reúnem com o ator de Hollywood e representantes de ONG ambiental.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, reservaram espaço na agenda oficial para receber o ator e ativista norte-americano Leonardo DiCaprio nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, às 12h30, no Palácio do Planalto. O encontro diplomático-midiático ocorre em um momento delicado para o governo e as instituições em Brasília, marcado pela repercussão de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), episódio sobre o qual o chefe do Executivo ainda não havia se pronunciado.
A reunião no gabinete presidencial conta com a presença de integrantes da organização não governamental Re:wild, entidade voltada à preservação da biodiversidade da qual DiCaprio é um dos principais nomes. O astro de Hollywood cumpre roteiro pelo Brasil focado em projetos de conservação ambiental e pesquisa, tendo visitado recentemente o Pantanal, no estado de Mato Grosso do Sul, onde se reuniu com a liderança indígena cacique Raoni Metuktire.
A relação de DiCaprio com a temática ambiental no Brasil não é recente e frequentemente se cruza com disputas político-ideológicas. O artista visitou a Amazônia e o Parque Indígena do Xingu em 2004, ao lado da modelo Gisele Bündchen, e retornou ao país em 2014 para prestigiar a abertura da Copa do Mundo. Ao longo dos anos, contudo, seu ativismo incorporou um alinhamento explícito a pautas da esquerda internacional e a lideranças do Partido Democrata nos Estados Unidos, onde declarou apoio público às campanhas de Joe Biden em 2020 e Kamala Harris em 2024 contra o republicano Donald Trump.
No cenário nacional, o ator consolidou-se como um crítico contundente do ex-presidente Jair Bolsonaro e um entusiasta da atual gestão petista. Em manifestações públicas e textos divulgados no início do terceiro mandato de Lula, em 2023, o ativista elogiou o avanço de demarcações de terras indígenas e a retomada de medidas federais de fiscalização, afirmando que o petista restabeleceu políticas de proteção após índices de desmatamento atingirem patamares elevados sob a administração anterior.
A recepção do astro cinematográfico no centro do poder federal busca reforçar a narrativa de alinhamento global da administração com o ambientalismo internacional. Contudo, analistas apontam o contraste entre a priorização dessa agenda de relações públicas com celebridades e o enfrentamento de crises domésticas substantivas, sobretudo diante de desgastes políticos e denúncias que afetam a estabilidade institucional entre os poderes.
O que esta em jogo: A aproximação entre o Palácio do Planalto e figuras de projeção global como DiCaprio visa legitimar externamente a política ambiental do Executivo e atrair apoio internacional. No entanto, o uso de agendas de apelo midiático em momentos de crise interna reacende o debate sobre soberania, interferência de ONGs estrangeiras na gestão de recursos naturais brasileiros e a eficácia prática dessas parcerias em solucionar os reais desafios econômicos e sociais do país.
Com informacoes de revistaoeste.com.