Bloco europeu barra importações de carne bovina e aves do Brasil por exigências sanitárias sobre antimicrobianos, impondo longo prazo de adequação aos produtores.

A União Europeia formalizou a suspensão das importações de carne bovina e de aves procedentes do Brasil a partir de quinta-feira, 3, conforme determinação anunciada pela Comissão Europeia em 31 de agosto. A medida drástica decorre da exclusão prévia do país, ocorrida em maio, da lista de nações autorizadas e consideradas em conformidade com as rigorosas diretrizes sanitárias do bloco sobre o controle e o uso de antimicrobianos na pecuária.
As normas impostas pelo bloco europeu proíbem taxativamente a utilização de determinados tipos de antimicrobianos e antibióticos na criação de animais, em especial quando as substâncias são empregadas para estimular o crescimento ou elevar o rendimento do rebanho. Bruxelas agora exige garantias documentadas e comprovações técnicas de que as proteínas animais de origem brasileira destinadas aos seus países-membros estejam totalmente livres desses compostos.
Em resposta direta às cobranças externas, o setor produtivo e as autoridades brasileiras implementaram, em 1º de julho, uma série de novos procedimentos voltados ao rastreamento e controle de substâncias na cadeia pecuária. Para setores como o de frango e mel, há uma perspectiva de alívio mais rápida: a União Europeia realizará uma reunião de seu comitê sanitário nos dias 16 e 17 de novembro para analisar auditorias sobre o sistema brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a enviar uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, datada de 31 de julho, solicitando o retorno antecipado desses produtos à lista de fornecedores antes mesmo do desfecho formal das análises.
Por outro lado, o cenário para a carne bovina brasileira é consideravelmente mais complexo e desafiador. Devido ao ciclo de vida biológico e de manejo mais longo do gado, estimativas apontam que a proteína bovina nacional poderá permanecer fora do mercado da União Europeia até meados de 2028. Esse intervalo prolongado reflete o tempo necessário para adaptar integralmente todo o ciclo de engorda, abate e processamento às diretrizes exigidas pelos compradores europeus.
O que esta em jogo: A imposição de barreiras sanitárias por parte da Europa coloca à prova a capacidade de resposta e a soberania do agronegócio brasileiro, motor crucial da economia nacional e símbolo de produtividade no mercado livre global. Enquanto o setor produtivo se vê obrigado a absorver custos elevados de adequação para atender a exigências burocráticas externas, a retenção prolongada até 2028 desafia a diplomacia comercial e reforça a necessidade de diversificação de mercados consumidores para que a produção de alimentos do país não fique refém de imposições unilaterais.
Com informacoes de revistaoeste.com.