Em aula magna sobre liberdade religiosa, o arcebispo de São Paulo criticou tentativas de restringir a fé aos templos e defendeu o direito dos pais de educar seus filhos com valores morais.

O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, fez uma contundente defesa da liberdade religiosa ao alertar para o uso distorcido do conceito de Estado laico como pretexto para silenciar a fé no espaço público. A declaração foi feita durante a aula magna do curso Fundamentos da Liberdade Religiosa, promovido pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em uma terça-feira, 25.
Segundo o líder religioso, a neutralidade do Estado em matéria confessional não deve ser confundida com aversão ou perseguição à fé. “Muitas vezes se invoca o Estado laico para, de alguma forma, reprimir as manifestações religiosas”, declarou o arcebispo. Ele rechaçou a ideia de que espaços públicos devam ser expurgados de símbolos ou atos devocionais: “Se pretende até que uma praça seja laica, e por isso na praça não se pode fazer um ato religioso, ou não pode haver um crucifixo, ou uma imagem de um santo, porque o Estado é laico. Isso é um grande equívoco”.
Dom Odilo enfatizou que a laicidade governamental impõe a ausência de uma religião oficial imposta aos cidadãos, mas tem como dever precípuo proteger a liberdade e o culto de todas as crenças. Para o cardeal, tem se tornado frequente a tentativa de confinar a religiosidade ao ambiente estritamente privado, o que classificou como inaceitável. “Quer manifestar a sua religião? Lá dentro da igreja você pode, aqui fora não, porque o Estado é laico”, ironizou o sacerdote, rebatendo a intenção de “empurrar a religião para dentro da sacristia”.
Fundamentando sua fala na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Constituição Federal e em diretrizes da Igreja Católica, o arcebispo também reforçou a autonomia das instituições religiosas frente ao poder público, reiterando que o Estado não pode intervir em liturgias, cultos ou na governança interna dos grupos de fé. Scherer abordou ainda a soberania da família, defendendo o direito inalienável dos pais de transmitir preceitos éticos e espirituais aos filhos, contestando correntes que tentam tolher a formação moral no ambiente doméstico.
Por fim, o cardeal ressaltou que a liberdade religiosa encontra seus limites legítimos na ordem pública e no respeito ao próximo, pontuando que o exercício da crença não autoriza a prática de violências ou a promoção de conflitos. “Em nome da liberdade religiosa, por exemplo, não se pode agredir ninguém”, ressaltou.
O que esta em jogo: A discussão levantada por Dom Odilo Scherer expõe um dos debates culturais mais sensíveis do Ocidente contemporâneo: o avanço do laicismo militante sobre os valores tradicionais e a liberdade de expressão dos fiéis. Ao transformar a neutralidade estatal em censura contra a presença da fé nas praças, nas escolas e no cotidiano cívico, enfraquecem-se as bases que sustentam as liberdades individuais e o próprio direito das famílias de preservarem seus princípios morais frente a ingerências estatais indevidas.
Com informacoes de revistaoeste.com.