Donald Trump e membros de sua administração criticam concentração no mercado de carne bovina e defendem desregulamentação para estimular a livre concorrência.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez duras críticas à estrutura do setor de processamento de carne bovina do país nesta quarta-feira, 26, classificando o cenário atual como um verdadeiro “monopólio”. Em entrevista concedida ao apresentador Glenn Beck, o mandatário norte-americano ressaltou que há pelo menos duas décadas ouve queixas constantes a respeito do excesso de concentração na indústria, um entrave que prejudica a dinâmica natural do livre mercado e afeta diretamente a ponta consumidora.
As declarações do presidente ocorrem após o conselheiro comercial da Casa Branca, Peter Navarro, denunciar que apenas quatro grandes companhias dominam cerca de 85% de todo o mercado de processamento no país, acusando-as de formação de cartel. O quarteto apontado é composto por Tyson Foods, Cargill, JBS (de origem brasileira) e National Beef (controlada pela também brasileira MBRF). Navarro advertiu que essa hegemonia excessiva estrangula os pecuaristas locais, que recebem valores defasados pelo gado, ao mesmo tempo em que eleva os preços cobrados das redes de supermercados.
Para combater as distorções causadas pelas amarras burocráticas que sufocam o empreendedorismo, Trump defendeu expressamente a desregulamentação do setor, com a redução de exigências governamentais para incentivar o surgimento e a expansão de pequenos frigoríficos locais. Paralelamente, o Departamento de Justiça dos EUA conduz uma rigorosa investigação antitruste para apurar possíveis violações das leis de concorrência pelas principais gigantes do ramo, em um momento delicado marcado pelo encolhimento do rebanho norte-americano e pela inflação do produto, que acumulou alta de 9,4% nos 12 meses encerrados em julho.
O tom crítico em relação à concentração ganhou ainda mais força com declarações da secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins. A autoridade apontou preocupações com a estabilidade do abastecimento ao citar o “risco da segurança alimentar” e fez alusão indireta à JBS, ligada aos irmãos Batista, mencionando que a companhia possui um “histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas”. Em resposta ao cenário, a MBRF ressaltou que atua em estrita conformidade com as regras de governança, integridade e concorrência, destacando sua cooperação com cerca de 700 produtores americanos, enquanto a JBS não emitiu pronunciamento.
Como medida imediata para conter a pressão sobre o orçamento das famílias, Trump assinou nesta quarta-feira um decreto ampliando temporariamente em 300 mil toneladas a cota de importação sem tarifas de aparas de carne bovina magra. A iniciativa tem o objetivo pragmático de elevar a oferta no varejo e forçar a redução dos preços domésticos, embora enfrente resistência de setores pecuaristas que receiam o aumento da concorrência externa no curto prazo.
O que esta em jogo: O embate no setor de proteína animal norte-americano evidencia a complexa busca pelo equilíbrio entre a soberania alimentar, a proteção à livre concorrência e o combate à inflação. Quando mercados essenciais se tornam excessivamente concentrados, a remoção de entraves regulatórios para pequenos processadores surge como ferramenta indispensável para devolver o dinamismo econômico, beneficiando tanto os produtores independentes na base quanto os consumidores finais nas prateleiras.
Com informacoes de revistaoeste.com.