Senador Eduardo Girão aponta manobra regimental na CCJ e adverte sobre os severos impactos econômicos e a desestruturação familiar gerados por apostas e cassinos.

A insistente tramitação de pautas voltadas à liberação e expansão da jogatina no Brasil voltou a gerar fortes embates no Congresso Nacional. Em entrevista concedida ao Poder360, na segunda-feira 24, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou abertamente a postura do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Girão acusou o parlamentar amapaense de demonstrar uma verdadeira “obsessão pelos jogos de azar no Brasil”, posicionando-se como um dos principais articuladores do avanço de propostas que buscam restabelecer cassinos, bingos e outras modalidades no país.
Para fundamentar suas críticas, Girão relembrou os bastidores da votação do projeto de lei 2.234 de 2022, ocorrida em 2024 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado então presidido por Alcolumbre. O texto em questão prevê a autorização para o funcionamento de cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos. Segundo o parlamentar cearense, a aprovação do projeto na comissão só foi possível graças a alterações regimentais de última hora na composição dos votantes.
O senador detalhou a suposta manobra política que garantiu a vitória dos defensores do projeto no colegiado temático. “Na hora, se troca ali 4 senadores que eram contrários, que sempre estiveram na CCJ desde o começo do mandato, por 4 senadores forasteiros que nunca foram a nenhuma sessão ali desse debate”, afirmou Girão. Ele concluiu ressaltando o desfecho apertado: “Resultado: perdemos por 2 votos e foi comemorado”. Procurada pela reportagem de origem, a assessoria de Davi Alcolumbre não se manifestou sobre as declarações.
Além de rechaçar as tentativas de levar a matéria ao plenário do Senado — medida que classificou como um grave retrocesso —, Girão ampliou suas críticas ao atual ecossistema de apostas já existente no país. O parlamentar, que compõe chapa como candidato a vice-presidente ao lado de Romeu Zema (Novo), defendeu a aprovação de leis que determinem o fechamento definitivo das casas de apostas on-line, argumentando que as chamadas bets drenam recursos vitais da economia produtiva real, desviando verbas do comércio, da indústria e da prestação de serviços.
Por fim, o senador enfatizou os danos colaterais provocados pelo vício em jogos, apontando uma relação direta com o endividamento crônico da população, a desestruturação familiar e a facilitação de práticas criminosas, como a lavagem de dinheiro pelo crime organizado. “Existe uma massa de brasileiros que tem ojeriza às bets. O endividamento do Brasil supera 80% pela primeira vez na história por causa das casas de apostas. Todo mundo perde com isso”, alertou o parlamentar.
O que esta em jogo: A disputa em torno da liberação dos jogos de azar e da regulamentação das apostas ultrapassa a esfera da arrecadação tributária e atinge o cerne da estabilidade social brasileira. De um lado, setores políticos e lobbies de grandes empreendimentos defendem a atividade sob o argumento de fomento ao turismo e geração de receitas públicas; de outro, defensores da integridade familiar e da responsabilidade econômica advertem que a proliferação da jogatina consome a renda das famílias de baixa renda, eleva os índices de inadimplência e serve de porta de entrada para a lavagem de capitais ilícitos, impondo ao país custos sociais muito maiores do que eventuais ganhos fiscais.
Com informacoes de revistaoeste.com.