Inquérito apura tratativas para fornecimento de medicamentos e testes diagnósticos com suposta comissão de 20% ligada ao filho do presidente.

A Polícia Federal conduz investigações sobre uma suposta articulação que pretendia intermediar contratos milionários com o Ministério da Saúde. O foco da apuração recai sobre a atuação conjunta do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; de Camilo Antunes, apelidado de Careca do INSS; e da lobista Roberta Luchsinger. Conforme as investigações, o grupo teria articulado ao menos três investidas para viabilizar negócios que somariam R$ 627 milhões, envolvendo principalmente a comercialização de medicamentos à base de cannabis e testes rápidos de dengue.
Os relatórios policiais apontam que Lulinha atuava em comunhão de interesses econômicos com Roberta Luchsinger, sendo identificado como beneficiário indireto das investidas da lobista junto a estruturas estatais. De acordo com as apurações, Roberta afirmava representar os interesses do filho do presidente da República e pleiteava uma comissão de 20% sobre as operações pretendidas. Entre as tratativas estava a compra centralizada de 1,2 milhão de frascos de canabidiol distribuídos entre quatro empresas privadas, incluindo a WorldCann, negócio classificado como inviável por analistas do setor e por técnicos governamentais, uma vez que a despesa anual federal com esses itens gira em torno de R$ 5 milhões.
O inquérito também detalha a movimentação financeira em torno de assessores do núcleo de poder. A PF identificou que, em 2024, Roberta custeou R$ 217 mil em despesas de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os pagamentos coincidiram com o período em que a lobista apresentava minutas e rascunhos de propostas de contratação ao próprio Ribeiro. A apuração registrou ainda tratativas para viabilizar parcerias com a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego) e um plano de venda de testes diagnósticos de arboviroses que alcançaria cerca de R$ 1 bilhão por meio de importação.
As investidas, contudo, foram barradas pelos órgãos competentes. A assessoria do Ministério da Saúde informou que nenhuma das propostas teve prosseguimento ou gerou contratações, reiterando que as aquisições da pasta seguem critérios de concorrência pública. Em relação aos projetos vinculados à Iquego, a área técnica do ministério reprovou a totalidade das 25 propostas submetidas ao longo dos últimos anos. As defesas dos citados sustentam inocência: os advogados de Fábio Luís e de Camilo Antunes negam irregularidades, a representação de Roberta limitou-se a informar que se pronunciará apenas nos autos, e a defesa de Marco Aurélio Ribeiro afirma que os repasses financeiros consistiram em empréstimos pessoais devidamente quitados.
O que esta em jogo: A apuração evidencia os riscos e a vulnerabilidade das estruturas públicas de compra frente a tentativas de intermediação e tráfico de influência no alto escalão. Em um cenário em que a integridade dos gastos em saúde pública é fundamental para a preservação dos recursos dos pagadores de impostos, a atuação dos órgãos de controle e a transparência nas licitações tornam-se barreiras cruciais para impedir que interesses privados e conexões políticas interfiram no direcionamento do orçamento estatal.
Com informacoes de revistaoeste.com.