Em entrevista, presidenciável Romeu Zema classifica julgamentos do 8 de janeiro como políticos, propõe privatizações e defende rigor penal inspirado em El Salvador.

O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) fez duras críticas à condução jurídica dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Em entrevista concedida à TV Globo, o político classificou os julgamentos dos manifestantes e acusados como uma ação “nitidamente política”, divergindo abertamente da tese jurídica dominante de que houve uma tentativa de golpe de Estado. Para Zema, os episódios registrados na capital federal configuraram atos de vandalismo e depredação do patrimônio público, infrações que devem ser punidas estritamente na medida de sua ocorrência material.
Ao aprofundar seu posicionamento sobre as decisões judiciais recentes, Zema sustentou que o ordenamento jurídico não deve punir intenções ou ideias não concretizadas. “Comete crime quem leva o crime adiante”, pontuou o candidato, acrescentando que “quem fez, pensou ou até idealizou, mas se não levou, pra mim não cometeu crime”. Diante disso, afirmou que, caso seja eleito para o Palácio do Planalto, pretende conceder anistia ou buscar alternativas para que os réus tenham seus processos reavaliados por tribunais estritamente judiciais, alegando que certas cortes do país estariam “fazendo mais política do que propriamente justiça”.
No pilar da segurança pública, Zema defendeu medidas severas para restabelecer a ordem e combater o crime organizado, sugerindo a adaptação de estratégias implementadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, país que visitou em 2025 para observar a drástica redução nos índices de violência. Enfatizando a máxima de que “bandido é atrás das grades”, o ex-governador propôs o enquadramento formal de facções como organizações terroristas, alertando que o avanço criminoso sobre territórios nacionais equivale à perda de soberania: “O Brasil não foi invadido por um outro país, mas foi dado um terço dele ao crime organizado”.
A agenda econômica apresentada pelo candidato reforça a matriz liberal ao defender a desestatização de gigantes do setor público. Zema incluiu empresas estratégicas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal em seu plano de privatizações, sustentando que os ativos estão atualmente subavaliados por questões de gestão governamental. No que tange à política de rendimentos, garantiu a preservação do poder de compra do trabalhador por meio da reposição integral da inflação no salário mínimo, vinculando eventuais ganhos reais à responsabilidade fiscal e ao equilíbrio das contas públicas.
Quanto à sustentabilidade das contas no longo prazo, Zema descartou alterações imediatas na idade mínima de aposentadoria, mas admitiu a necessidade de revisões futuras no sistema previdenciário proporcionais ao aumento da expectativa de vida da população. Para ele, o caminho primordial para fortalecer a arrecadação e garantir a dignidade social passa pelo estímulo econômico e pela ampliação da formalização no mercado de trabalho brasileiro.
O que esta em jogo: A postura de Zema reflete o reposicionamento do debate político nacional em torno de pautas caras ao eleitorado conservador e liberal, como o restabelecimento do devido processo legal, o enfrentamento implacável ao narcotráfico e a redução da presença estatal na economia. Ao defender a anistia e medidas rígidas de segurança, a candidatura busca articular uma alternativa focada na restauração das liberdades individuais, na contenção do ativismo judicial e na promoção do livre mercado como motor de desenvolvimento.
Com informacoes de revistaoeste.com.