Após mudanças no comando de marketing e reaproximação com Michelle Bolsonaro, campanha de Flávio à Presidência ganha tração e mira bases estratégicas.

O Partido Liberal (PL) deu início a uma nova etapa estratégica na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, focando na unificação interna e na reconexão com redutos eleitorais decisivos. Em São Paulo, os atos de campanha começaram na quinta-feira, 20 de agosto, com agendas concentradas na Zona Leste e em distritos periféricos onde os candidatos conservadores obtiveram ampla votação no pleito de 2024. A investida em regiões populares reflete a aposta de consolidar os valores da família, do trabalho e da liberdade econômica como prioridades para o eleitorado.
Um dos marcos centrais dessa nova fase foi a consolidação pública da reaproximação entre o candidato e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que disputa o Senado Federal pelo Distrito Federal. Por meio de um vídeo publicado nas redes sociais com bastidores de gravações eleitorais, Michelle reforçou a mensagem de unidade ao declarar: “Vamos juntos resgatar o nosso Brasil”. A participação ativa da liderança feminina da legenda dissipa ruídos de divisões internas anteriores e injeta forte apelo emocional e moral na mobilização das bases conservadoras e cristãs pelo país.
A virada de postura nos bastidores ocorre após a entrada do marqueteiro Duda Lima no comando da campanha, oficializada em 31 de julho, após as saídas de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer, que estiveram à frente da equipe por cerca de um mês. Segundo integrantes da cúpula partidária, a reformulação organizou as diretrizes de comunicação e alinhou a bancada de deputados, senadores e lideranças regionais. A percepção interna é de que a estrutura anterior operava de forma fragmentada, enquanto o momento atual restabeleceu a coesão institucional do partido em torno de um único projeto nacional.
Essa reestruturação refletiu-se também na agenda e nos números. Relatos da coordenação apontam que o engajamento digital triplicou e os pedidos de agenda conjunta por parte de parlamentares e postulantes a cargos proporcionais dispararam. Além disso, o discurso proferido por Flávio em Copacabana, no Rio de Janeiro, no domingo 16 de agosto, foi considerado internamente como um ponto de inflexão para colocar o candidato em posição propositiva no debate público, superando o desgaste pontual registrado após a divulgação de conversas com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os levantamentos eleitorais mais recentes demonstram um movimento de recuperação dos índices de intenção de voto. À época dos episódios de crise, o Datafolha havia registrado recuo de 35% para 31% no primeiro turno, enquanto o Atlas/Bloomberg apontou oscilação negativa de seis pontos em um eventual segundo turno contra Lula. Contudo, sondagens posteriores já apontam recomposição: na pesquisa Quaest de 14 de agosto, Flávio marcou 31% no primeiro turno e 40% no segundo turno; já pelo levantamento BTG/Nexus, o candidato registrou 36% na primeira etapa e 44% no confronto direto final.
O que esta em jogo: A consolidação da unidade interna no maior partido de oposição é determinante para definir o equilíbrio de forças na disputa pelo Palácio do Planalto. Mais do que ajustar peças de marketing, a aliança entre as principais lideranças do campo conservador busca garantir a governabilidade legislativa futura e apresentar uma alternativa clara de defesa das liberdades individuais, da responsabilidade fiscal e das pautas morais frente ao modelo estatizante da esquerda.
Com informacoes de revistaoeste.com.